Confira!


"Dos pântanos que cercam a prisão de Dartmoor, um animal fantasmagórico espalha terror. Alucinação coletiva? Um monstro de verdade surge da noite dos tempos? Manipulação e sombria vingança? Os cadáveres de multiplicam. O fiel Dr. Watson confessa-se vencido, mas Holmes enfrenta o desafio e desvenda o enigma em condições aterradoras.
Sir Arthur Conan Doyle nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 1858, e morreu em Cowborough (Sussex), Inglaterra, em 1930. Médico especialista em oftalmologia, criou o detetive Sherlock Holmes, cuja primeira aventura (Um estudo em vermelho) foi publicada em 1887 pela revista Cornhill Magazine. Rapidamente, o detetive e seu assistente Dr. Watson tornaram-se um verdadeiro fenômeno internacional, consagrando seu autor como o criador do maior personagem dos romances policiais de todos os tempos."







Autor: Sir Arthur Conan Doyle
Gênero: Policial
Número de páginas: 208
 Local e data de publicação: Porto Alegre, 2013
Tradução: Rosaura Eichenberg
Editora: L&PM

O maior detetive de todos os tempos


Sherlock Holmes é um daqueles personagens cuja fama dispensa qualquer explicação. Por isso, todos o sabem de quem se trata, mesmo ser terem lido suas aventuras. É assim também com Cleópatra, com Harry Potter, com Hércules. Todos já ouviram falar deles. E assim, para alguém que lê pela primeira vez um dos livros de Conan Doyle com o objetivo de resenhá-lo, torna-se muito mais difícil estabelecer um juízo de valor, devido à imensa fama e à aura de adoração que cercam Holmes. Eu sempre tive a curiosidade de conhecer as histórias de Sherlock Holmes, e enquanto lia, tive essa dificuldade.
Em sua aventura mais famosa, que segundo a página da Wikipédia deu origem a mais de 24 adaptações para o cinema, Holmes e Watson devem investigar a morte de Sir Charles, homem rico e solitário que vivia sozinho no solar Baskerville, no condado de Devon. A região é rural, e na pequena vila próxima à imensa propriedade, a população, muito supersticiosa, acredita na lenda de Hugo Baskerville, um antepassado de Sir Charles, supostamente morto pela aparição sobrenatural de um cão imenso e selvagem, que de tempos em tempos retornaria para matar todo Barskeville que se aproximasse do local. Henry Barkerville, o único herdeiro das terras, da mansão e da fortuna de Charles viaja em direção à Inglaterra para receber o que lhe de direito, e o detetive é convocado em Londres para ao mesmo tempo desvendar as verdadeiras circunstâncias da morte de Sir Charles e proteger Henry de um potencial perigo, seja ele sobrenatural ou humano. Não acreditando na lenda da família, John Watson investiga ao máximo o caso, e ainda assim, tudo parece indicar que realmente possa existir um cão infernal na charneca que circunda o Solar e a cidade, e apesar disso, Holmes não deixa de lado sua racionalidade e seu método científico, para no fim desvendar todo o mistério de forma surpreendente.
Meu primeiro desafio nesta leitura foi – enquanto o mistério se apresentava já nas primeiras páginas – desvendar a personalidade do próprio Sherlock Holmes. O detetive mais famoso da literatura e do cinema possui talentos e conhecimentos incomuns. Exímio observador, é habilidoso em boxe e esgrima, é um bom violinista, entende de literatura sensacionalista, anatomia, química, geologia e botânica.* Embora alguns desses conhecimentos sejam importantes para um detetive, outros são bons exemplos de sua excentricidade. Holmes é, em outras palavras, um homem incomum. O personagem do filme estadunidense-alemão interpretado pelo ator Robert Downey Jr. (O Homem de Ferro), lançado em 2009, é fiel ao Holmes de Conan Doyle: sempre muito racional, planeja todas as suas ações, o que por vezes acaba frustrando seu amigo Watson, pois por cautela, ele nunca revela seus planos por completo. Além disso, sua inteligência o torna arrogante (Watson se ressente um pouco por isso), e mesmo assim, o leitor acaba admirando-o desde o início.
Temos como personagens importantes o Dr. Mortimer, médico do falecido Sir Charles; o casal de criados de sobrenome Barrymore, cuja família trabalha no solar Baskerville há várias gerações; e o Sr. Stapleton e sua bela vizinha, que vivem na charneca e são os vizinhos mais próximos do Solar. No início, todos parecem, de certa forma, um tanto quanto suspeitos, e ao mesmo tempo em que Watson descobre coisas importantes que desviam suas suspeitas de cada um deles, outros acontecimentos suspeitos surgem, apenas para confundi-lo. Existe ainda um caráter sombrio, e a figura do cão do inferno é invocada na narrativa em momentos aleatórios, deixando ainda mais dúvidas sobre a natureza do perigo que cerca Sir Henry.

"É que em cima de Hugo, puxando sua garganta, estava uma coisa hedionda,
uma grande besta negra que tinha a forma de um cão,
embora fosse maior do que qualquer cão
já visto pelos mortais."
Página 21

Talvez o mais fascinante de toda a história – e que eu pretendo encontrar nas outros aventuras de Holmes que ainda vou ler – seja o método de investigação científico, e a dedução baseada na lógica, que salta as olhos da primeira à última página (sem exagero). A cada nova descoberta, temos uma prova de motivo pelo qual este personagem consagrou para sempre Sir Artur Conan Doyle e transformou o endereço 221B da Baker Street num dos endereços mais famosos de Londres, que hoje abriga um museu  em homenagem a Sherlock Holmes.
A narrativa não se torna arrastada em nenhum momento, pois sempre surge um ponto relevante quando menos esperamos. Talvez haja apenas uma frustração para o leitor que, assim como eu, irá ler Sherlock Holmes pela primeira vez: a história é contada por John Watson. E mesmo que este seja um aspecto negativo, talvez tenha também um objetivo, que para mim seria tornar Holmes ainda mais interessante, visto que nós o conhecemos somente pelo ponto de vista de Watson, e que só temos acesso aos seus pensamentos quando ele mesmo os revela.
Essa é, sem dúvida, uma história envolvente, que recomendo para todos aqueles que gostam da literatura policial; para aqueles que têm vontade de conhecer as aventuras de Holmes; e para quem gosta de um bom mistério.

Aspectos positivos: a narrativa permanece sempre interessante; o método dedutivo está presente do início ao fim; os conhecimentos científicos são colocados acima das superstições para a investigação do mistério.
Aspectos negativos: presença de alguns termos em francês, como "tête-à-tête", que exigem pesquisa para serem compreendidos; narrativa feita pelo Dr. Watson; ausência de Holmes durante grande parte da história.

Por: Lethycia Dias

* As habilidades e os conhecimentos de Sherlock Holmes descritos nesta resenha não são todos revelados em O cão dos Barskerville. O link indicado no terceiro parágrafo do texto leva a uma página da Wikipédia, onde essas e outras características estão indicadas.




"A maioria dos garotos faria qualquer coisa para passar no Desafio de Ferro. Callum Hunt não é um deles. Ele quer falhar. Durante toda a sua vida, Call foi alertado pelo pai para ficar longe da magia. Se for aprovado no Desafio de Ferro e admitido no Magisterium, ele tem certeza de que isso só irá lhe trazer coisas ruins. Assim, ele se esforça ao máximo para fazer o seu pior... E falha em seu plano de falhar. Agora, o Magisterium espera por ele, um lugar ao mesmo tempo incrível e sinistro, com laços sombrios que unem o passado de Call e um caminho tortuoso sobre o seu futuro. O Desafio de Ferro é apenas o começo. A maior das provas ainda está por vir..."




Autoras: Holly Black e Cassandra Clare
Gênero: Fantasia
Número de páginas: 381
Ano e local de publicação: Ribeirão Preto (SP), 2013
Tradutora: Amanda Orlando
Editora: Novo Conceito

Talento para problemas


Magisterium: O Desafio de Ferro é o primeiro volume de uma série de cinco livros escrita em conjunto por Holly Black (As crônicas de Spiderwick, A garota mais fria de Coldtown) e Cassandra Clare (Os Instrumentos Mortais), e traz uma mitologia sobre magos que controlam os quatro elementos - terra, água, fogo e ar -, que lutam contra elementais (seres perigosos que também controlam os elementos), e que temem um mago capaz de dominar a magia do Caos, conhecido como O Inimigo da Morte. Callum Hunt é um garoto de 12 anos que sempre ouviu seu pai falar sobre o quanto os magos eram ruins, e sobre o quanto a escola de magia era assustadora. Em outras palavras, ele odiava magia, e não queria de forma alguma entrar para o Magisterium. Entretanto, mesmo fazendo o possível para ser reprovado no teste, ele acaba sendo aprovado, e é obrigado a ir para uma estranha escola de magia sobre a qual ele nada sabe, mesmo que seu pai não concorde com isso.
No Magisterium, Call não se sente bem, ao menos nos primeiros dias. Seus colegas parecem não aceitá-lo, devido ao seu desempenho no teste. Jasper, uma colega arrogante, é um desses. Ele sente saudades do pai, e tem muito medo de se perder entre os túneis da escola, que é localizada em cavernas.
Além disso, Call sempre teve um grande problema para ter amigos; aliás, nunca teve nenhum. Quando era bebê, um acidente fez com que uma de suas pernas se quebrasse em vários lugares, e por isso, ele manca bastante, e tem grande dificuldade para andar rápido, correr, pular e praticar esportes em geral. Por causa disso, ele sofre com o preconceito de seus colegas, praticamente, a todo momento.
Conforme o tempo vai passando, Call vai entendendo melhor o que é ser um mago. Tudo parece girar em torno dos princípios da magia, e especialmente do Quinário: O fogo quer queimar. A água quer fluir. O ar quer se erguer. A terra quer unir. O caos quer devorar. Ao mesmo tempo, enquanto tenta ser expulso ou fugir da escola, Call começa a descobrir mais sobre sua própria vida, sobre seu pai e sobre o Inimigo da Morte. Parece, inclusive, que seu pai vem lhe escondendo algo muito importante. E quanto mais aprende sobre magia (a despeito das aulas tediosas das primeiras semanas), mais Call gosta desse novo mundo que descobriu, e o fato de se tornar amigo de seus companheiros Aaron e Tamara (com os quais ele não se dava bem a princípio), faz com que ele queira permanecer na escola.
A primeira impressão que tive, desde as primeiras páginas, e contra a qual eu lutei durante toda a leitura, foi de que era muito semelhante a Harry Potter. Afinal, um trio de crianças criando confusão numa escola de magia é meio familiar, não é mesmo? Por isso, ao longo da leitura comecei a observar desesperadamente todas as diferenças entre Harry Potter e Callum Hunt:

  1. Call tem a presença de seu pai;
  2. Apesar do preconceito que sofre, sua vida anterior à magia é ótima;
  3. Ele reluta muito em ir para o Magisterium;
  4. Ele quer fugir do Magisterium;
  5. Ele considera a magia uma coisa ruim;
  6. Os magos de Magisterium não usam varinhas;
  7. A magia provém dos quatro elementos, além do Caos, que só alguns magos dominam;
  8. Para entrar no Magisterium é preciso fazer um "teste", e nem todos são aprovados;
  9. Não basta ter poderes mágicos para se tornar um mago. A magia pode ser "interditada";
  10. As "criaturas mágicas" são completamente diferentes. A mitologia é outra.
Observar tudo isso foi muito importante para o meu julgamento sobre a história, e também para o processo de escrita dessa resenha, pois de jeito nenhum eu queria que vocês, leitores do blog, se sentissem desestimulados a ler, por pensarem que O desafio de ferro poderia ser "igual" a Harry Potter e a Pedra Filosofal. Eu simplesmente adoro a saga do Harry Potter, e não suportaria pensar que outro personagem foi criado para ser parecido com ele. Mas não, Callum Hunt não é parecido.
Posso começar a parte crítica dessa resenha falando que O desafio de ferro é uma história divertida, e muito bem construída. Divertida, porque Call é um garoto muito encrenqueiro, e mesmo quando não quer, acaba criando problemas; bem construída, porque desde o prólogo (especialmente no prólogo), tudo é importante. A cada momento surge um novo ponto interessante, um novo clímax, uma nova descoberta. Nós, leitores, não temos um momento de descanso com este livro, pois estamos sempre entendendo mais sobre a magia, os elementais, a escola, o Inimigo, ou sobre a própria vida de Call.

"Call, Aaron e Tamara voltaram para seus aposentos com a sensação de que,
desde que chegaram ao Magisterium, as coisas se encaixavam em seus devidos lugares.
Eles se deram melhor do que qualquer outro grupo de aprendizes,
e todo mundo sabia disso."
Página 170.

Nesta maravilhosa aventura, percebemos, acima de tudo, que Call não é perfeito. A maioria dos perigos enfrentados pelo trio (ou por ele Call sozinho), são causados por ele mesmo, quando se sente ofendido, ou quando tem a necessidade de fazer algo surpreendente, por algum motivo. No início da história, ele até pensa que seus companheiros têm raiva dele por isso. Call é na verdade um menino muito impetuoso, que faz as coisas sem pensar bem nas consequências. E mesmo quando pensa, ele acaba agindo da forma errada mesmo assim, achando que pode evitar qualquer problema. E apesar disso tudo, ainda conseguimos gostar dele.

Aspectos positivos: é uma história engraçada e com várias partes de muita tensão; o mistério também grande, e mesmo podendo fazer várias deduções, as verdadeiras respostas só chegam no final;
Aspectos negativos: por ter sido "assustado" por seu pai durante muito tempo a respeito da magia, dos magos e do Magisterium, Call acaba sendo chato em muitas situações, sempre resistindo às novas experiências; pelo fato de ele ser impulsivo, nós nem sempre concordamos com suas atitudes, e em alguns momentos, já sabemos que ele está fazendo uma "besteira".

Por: Lethycia Dias




Já parou para pensar no quanto uma simples palavrinha, com três letras, é importante na nossa fala e também na escrita? Na Língua Portuguesa, em geral? Estou falando da palavra que. Já parou para pensar no quanto nós a utilizamos, sem realmente pensar qual a importância dessa palavra em certas frases? Eu pensei, e ao pesquisar sobre isso para escrever esse post, fiquei impressionada com a quantidade de funções que o que pode assumir, sem percebermos. Vamos agora conferir algumas delas, para que você entenda o quanto ele é importante.

Advérbio: pode ser um advérbio, intensificando palavras às quais estará ligado.
Exemplos:
Que lindo dia! (intensifica o adjetivo lindo).
Que menino educado! (intensifica o adjetivo educado).

Conjunção coordenativa: liga orações equivalentes. Pode dividir-se em:
A) Aditiva: liga orações estabelecendo uma sequência de fatos, tendo função semelhante à da conjunção e.
Exemplos:
Diz que diz, e nada acontece!
Anda que anda, e nunca chega aonde quer.

B) Adversativa: expressa oposição.
Exemplos:
Outra pessoa, que não eu, deveria fazer algo.
Muitos funcionários, que não eu, seriam demitidos.

C) Explicativa: indica motivo ou razão, e funciona de forma semelhante ao porque.
Exemplos:
Pegue as roupas no varal, que lá vem chuva;
Arrume seu quarto, que teremos visita.

Conjunção subordinativa: liga orações que precisam obrigatoriamente de complemento para que possam ser compreendidas; a ação que se sucede ao que terá, no período, terá a função substantiva ou adverbial, em relação à oração principal (da qual ela depende). Divide-se em:
A) Causal: introduz orações adverbiais causais, que desempenham função de porque.
Exemplos:
Fugimos todos, que a maré vinha subindo depressa.
Não esperaria mais, que ela já demorava muito.

B) Comparativa: introduz orações subordinadas adverbiais comprativas.
Exemplos:
Eu sou mais alto que o meu irmão.
As crianças de antigamente brincavam muito mais que as de hoje.

C) Consecutiva: introduz orações subordinadas adverbiais consecutivas, indicando consequência.
Exemplos:
É tão baixinho que não alcança a prateleira.
Tanto reclamou que teve o que queria.

D) Concessiva: introduz oração subordinada adverbial concessiva, e equivale a embora.
Exemplos:
Que não aprovem nosso amor, continuaremos juntos!
Durma e descanse que seja só um pouco!

E) Final: introduz oração subordinada adverbial final, e equivale a para que ou a fim de que.
Exemplos:
Todos lhe fizeram sinal que se calasse.
A mãe incentivou muito, que não tivesse vergonha.

 F) Temporal: introduz oração subordinada adverbial temporal, e tem sentido próximo a desde que.
Exemplos:
"Porém já cinco sóis eram passados que dali nos partíramos" (Camões), (grifo nosso).
Agora que a luz se apagou, nada podemos ver.

Interjeição: exprime surpresa ou encanto. Neste caso, quando for uma exclamativa, a palavra que deve ser acentuada.
Exemplos:
Quê! Você faltou por todo esse tempo?
Quê! Não podemos fazer isso!

Partícula de realce: aparece presente no contexto como recurso expressivo, e sua retirada não prejudica o sentido.
Exemplos:
Então qual que é o verdadeiro campeão?
Que vontade que tenho de encontrar você!

Preposição: Equivale à preposição de ou para, ao acompanhar os verbos ter e haver.
Exemplos:
Você tem que obedecer quando recebe uma ordem. (que + de)
Se é assim, não temos muito que fazer. (que = para).

Pronome adjetivo indefinido: funcionando como adjunto adnominal, acompanha um substantivo.
Exemplo:
Que tempo mais esquisito!
Que lanche delicioso!

Pronome adjetivo interrogativo: ainda desempenha função de adjunto adnominal, acompanhando substantivos das frases interrogativas.
Exemplo:
"Que livro você está lendo?"
Que horas são?

Pronome indefinido substantivo: equivale a que coisa.
Exemplo:
Que caiu?
A roupa era feita de quê? (Ao fim da frase deve ser acentuado).

Pronome relativo: refere-se a um termo antecedente, e pode ser substituído por o qual, a qual, os quais ou as quais.
Exemplo:
Aquela é a garota que não aceitou meu pedido de namoro.
O vizinho que eu detesto sempre ouve música alta.

Como vimos, a palavra que, uma simples palavrinha de três letras, desempenha inúmeras funções. Pode ser preposição, conjunção, pronome, partícula de realce, interjeição e advérbio, e muitas vezes é fundamental, pois faltam palavras que possam substituí-la. Por isso, é tão importante conhecer sua função, pois assim podemos usá-la melhor, e evitar o uso inadequado. Dessa forma, a escrita se torna mais correta.
Espero, com esse post, ter ajudado a quem tinha a curiosidade, ou a que precisava se informar sobre o tema.

Por: Lethycia Dias

Bibliografia:
MUNDO VESTIBULAR. Funções da palavra QUE. 11/04/2011/. Disponível em:
VILARINHO, Sabrina. Classe de palavras. As funções morfossintáticas da partícula que. Mundo Educação. Disponível em:

Eu estava procurando por um assunto interessante para escrever, e eis que ele me aparece quase que caindo do céu. Ao ler o texto Mulheres, literatura e mais uma provocação, publicado em 18 de junho no blog Confeitaria, abri meus olhos para uma realidade que sequer passava pela minha cabeça, apesar de eu ser tão ligada em assuntos relacionados à mulher como um todo. Nunca havia parado pra pensar que a literatura por muito tempo excluiu mulheres, e que hoje em dia, no mercado editorial, é dada mais atenção aos homens. Até ler o texto acima citado, que critica a pouca consideração que as escritoras recebem da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), eu não havia me ligado nisso.
Terminada a leitura, não conseguia parar de pensar nisso. Como um evento de tamanha importância poderia convidar homens em sua maioria, e além disso, premiar apenas homens? Será possível que não existem escritoras tão boas assim? Será que não estamos podendo nos igualar a eles no meio artístico? E recorrendo aos meus conhecimentos adquiridos em anos de leitura, ao meu próprio entendimento do universo literário, encontrei as respostas para minhas perguntas. É claro que somos tão boas quanto eles. É claro que escrevemos bem. E é claro que merecemos o mesmo prestígio. De tanto pensar nisso, acabei me lembrando de mulheres maravilhosas que já fizeram muito pela literatura, e que têm legiões de leitores pelo mundo afora.

Já tivemos grandes escritoras mundiais. Jane Austen ainda é lida pelos amantes de literatura inglesa, e escrevia somente sobre o universo feminino de sua época. Emily Brontë escreveu um romance clássico que até hoje é adorado (O Morro dos Ventos Uivantes*), e que foi adaptado para o cinema diversas vezes, além de ter virado telenovela aqui no Brasil. Mary Shelley escreveu um clássico do terror (Frankenstein), uma das obras mais conhecidas e citadas em filmes, livros, desenhos animados e etc. Virginia Woolf escreveu romances e contos maravilhosos, e foi feito um filme sobre o fim de sua vida**. Agatha Christie ainda é conhecida por seus incríveis romances policiais; seu personagem, Hércule Poirot, tem tantos admiradores quanto Sherlck Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle. O livro mais vendido mundialmente (Harry Potter) foi escrito por uma mulher (J.K. Rowling). Deixando um pouquinho de lado as estrangeiras, passemos a exemplos aqui mesmo no Brasil. A cearense Rachel de Queiroz, autora do clássico modernista O Quinze, (que retrata a seca na região Nordeste e a situação dos retirantes), foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na célebre Academia Brasileira de Letras, que, aliás, hoje é presidida por uma mulher (Ana Maria Machado). Lygia Fagundes Telles, autora do famoso Ciranda de Pedra (que também deu origem a uma telenovela), escreveu contos incríveis; um deles, O Jardim Selvagem, reflete sobre a condição feminina, e já foi tema para um trabalho acadêmico***. Clarice Lispector escreveu romances e contos de profundidade e sensibilidade única, e sua obra mais famosa (A Hora da Estrela) até hoje é estudada no Ensino Médio e eu não me surpreenderia se já tiver sido (ou se ainda for) leitura recomendada para vestibular.

Só a partir disso, deu pra ver que somos realmente muito boas, não é mesmo? Ou será que dá pra duvidar disso? Acho que não.

Lendo alguns textos em outros sites sobre a participação feminina na literatura, acabei me dando conta de que poderia dar muito mais exemplos, mas não seria capaz de falar deles com propriedade, por não conhecer as obras. Por isso, deixo abaixo os links dos textos que andei lendo, e alguns são realmente maravilhosos. Em um deles, O Diário de Anne Frank é recomendado como leitura essencial. No blog Depois dos Quinze, o livro Eu Sou Malala é indicado como leitura de valorização da mulher. E voltando à FLIP, o perfil KD Mulheres fez uma crítica no Twitter:


Considero a crítica e o questionamento muito importantes para que mudanças sejam alcançadas. Antigamente, mulheres eram impedidas de escrever. Tinham suas vidas restritas ao lar, e quando escreviam livros, eram obrigadas a usar pseudônimos masculinos. Ainda bem que essa realidade mudou! Ainda bem que hoje em dia podemos escrever em jornais, fazer faculdade, fazer pesquisas científicas, escrever em um blog como esse, publicar livros! Mas para alcançar igualdade e respeito, ainda precisamos de um pouquinho mais.

Deixo abaixo a lista de links que visitei antes de escrever esse post, caso você se interesse:

22 livros escritos por mulheres que devem ser lidos por homens

Apenas lembrando: o texto que deu origem a este já está indicado no início do post.

Por: Lethycia Dias

* O livro O Morro dos Ventos Uivantes aparece marcado como link porque foi citado no post anterior, que enumera 10 romances que considero emocionantes;
** O filme sobre Virginia Woolf chama-se As Horas. Para mais informações, consulte a página da Wikipédia;
*** O trabalho acadêmico citado é A construção de identidades femininas em O Jardim Selvagem, de Lygia Fagundes Telles, disponível para download neste link.


Estou de volta aos posts da Sessão 10, onde faço listas de 10 coisas relacionadas a livros, ou à leitura em geral. No post de hoje, estarei listando 10 romances emocionantes, que com certeza farão com que você derrame algumas lágrimas, ou que pelo menos te tocarão de alguma forma. Vamos começar:

1- Soul Love: À noite o céu é perfeito! - Lynda Waterhouse

Jenna, uma garota da cidade grande, está literalmente de castigo, indo passar as férias com sua tia Sarah, que ela mal conhece, numa cidade pequena, muito diferente do mundo que ela conhecia. Para defender seus amigos, ela assumiu a culpa por algo errado que ocorreu em sua escola, apesar de eles não se importarem muito com o quanto ela está sofrendo pelo erro que cometeram. Na cidade nova (que ela a princípio odeia) ela logo passa a trabalhar no sebo de sua tia, um lugar interessante e divertido. E o que faz com que ela goste de viver lá são as pessoas que conhece, especialmente Gabe, um garoto bonito e rico, por quem ela se sente atraída, e que também parece se interessar por ela, mas que tem um segredo chocante, que mudará a vida de Jenna.
Este foi um dos primeiros livros da minha adolescência, e talvez tenha contribuído um pouco para o despertar da minha maturidade, pois os conflitos adolescentes estão presentes a todo momento, ao mesmo tempo em que Jenna tem de lidar com responsabilidades que antes não lhe eram exigidas. Gabe faz com que Jenna seja uma pessoa melhor, e ela aprende muito ao conviver com ele. E o que descobrimos no final (tanto sobre Jenna quanto sobre Gabe) é tão emocionante que decidi compartilhar este livro com todos.

2- A Última Música - Nicholas Sparks


 Os livros de Nicholas Sparks são muito famosos por serem românticos, e por tratarem de assuntos sentimentais, como a solidão, a tristeza, a paixão e talvez o ponto em comum a todos os seus romances: o amor incondicional. Li A Ultima Música depois de ter visto algumas cenas do filme (que por sinal também me emocionou) e acabei gostando muito. Rony está magoada com seu pai, e não aceita ter que passar as férias com ele numa pequena cidade litorânea, e a princípio parece ser rebelde e agressiva, uma verdadeira "filha-problema", tendo inclusive uma passagem pela polícia. Conforme a história vai se desenvolvendo, entretanto, ela mostra que é uma garota doce e amorosa, e que apenas se sentia rejeitada e pouco amada. É quando Will aparece em sua vida que notamos isso. Esse é um romance sobre a necessidade de perdoar, e também sobre a nossa capacidade de permanecer até o fim ao lado das pessoas que mais amamos, e este é, afinal, o principal desafio de Rony em relação ao seu pai.



3- Branca como o leite, vermelha como o sangue - Alessandro D'avenia

 Branca como o leite, vermelha como o sangue é um daqueles livros que a gente devora em alguns dias, porque não consegue parar de ler. A história é narrada por Leo, um garoto que gosta de jogar futebol, ouvir rock, e andar de moto, e que gosta da Beatriz, embora ela não saiba disso. Corrigindo: Leo ama Beatriz. Ele acredita que ela é a garota mais bonita de todo o mundo, e é capaz de tudo por ela. E se Beatriz parece ser uma garota inteligente que não vai dar a mínima para o bobo do Leo, esse é o menor dos problemas. Beatriz está doente, e há poucas chances de cura. Poucas pessoas sabem disso, e Leo descobre ao tentar se aproximar mais dela. É também por causa disso que começamos a perceber o quanto ele a ama, pois ao longo de toda a história Leo faz de tudo não para conquistá-la, não para levá-la para sair, mas sim para fazê-la feliz e para salvar sua vida. Essa é outra história em que vemos a abnegação, o sacrifício pela pessoa amada, e toda essa carga emocional vem alternada com momentos divertidos - afinal, Leo é um adolescente no Ensino Médio - e profundamente reflexivos, pois Leo acaba se tornando amigo do novo professor de Filosofia do seu colégio, que o ajuda a compreender e enfrentar as situações difíceis pelas quais tem de passar.

4- Uma História de Amor - Carlos Heitor Cony

Neste livro, um romance muito simples e fácil de ler, o personagem principal é Henrique, um garoto de família muito pobre, que vive numa cidade pequena, chamada Vila Rezende (nome dado em homenagem aos fundadores da cidade), e ao terminar o Ensino Fundamental, por gostar muito de estudar, Henrique começa a trabalhar para continuar seus estudos em um colégio particular. É lá que ele conhece Helena, filha de uma das famílias mais ricas da cidade, e acaba se apaixonando por ela. Henrique sofre muito com o preconceito de seus colegas, e também de seus professores, e todos os outros cidadãos. Ele não desiste de estudar, de buscar conhecimento, e de buscar uma profissionalização. E embora ele e Helena se afastem durante alguns anos, os dois acabam de reencontrando, e podem enfim ficar juntos, depois que as diferenças sociais entre os dois são vencidas, pois através do estudo e do trabalho duro, Henrique torna-se bem-sucedido e respeitado. É uma história sem aspectos incomuns, um simples romance, porém muito bonito.





5- Querida - Lygia Bojunga

O livro Querida é uma novela completamente inusitada, apesar de não ser uma história de amor convencional, por não ser uma história sobre duas pessoas apaixonadas uma pela outra. É uma história de amor familiar, e principalmente de amor entre mãe e filho. Nessa história, o personagem principal é Póllux, um menino de dez anos, que foge de casa para ir viver com seu tio Pacífico, que ele não conhecia, a não ser por histórias contadas por sua mãe. Por que fugir de casa? Porque Póllux, em sua concepção infantil, deseja "castigar" sua mãe, que se casou com outro homem, apenas alguns meses depois da morte de seu pai. Por ciúmes de sua mãe, ele não aceita a presença do padrasto. Em suas longas conversas com o tio Pacífico (que predominam na história), ele passa a ter mais compreensão com sua mãe e com seu padrasto e de certa forma conhece um amor diferente do amor que sente por sua mãe, unica referência em sua vida: descobre a respeito da mulher que seu tio ama, que fez com que ele se retirasse para viver num lugar distante e isolado, cercado pela natureza e sem nenhum contato com outras pessoas. Embora pareça um tanto maçante no início, é repleto de emoção.

6- Cartas ao Cão - Tatiana Busto Garcia

Cartas ao Cão é mais um daqueles livros que dificilmente vamos poder comparar com outros. Nele, somos apresentados a dois núcleos de personagens, separados por um período de trinta anos. A narração alterna entre Nola, uma mulher com aproximadamente 30 anos, em 2009, e Lúcia, em 1979, uma menina de oito anos que há pouco tempo perdeu o pai. Nola vive com seu irmão, que é gay e passa por diversos problemas de identidade e maturidade; sua mãe vive num asilo, e sua maior companhia ao longo dos dias é seu cachorro Kojak, para quem ela escreve cartas, embora ele não possa ler. Enquanto isso, Lúcia vive os dilemas de uma criança tentando compreender o mundo dos adultos. Os dois núcleos parecem não ter nenhuma relação entre si, mas acabam por se encontrar em certo momento, e tudo está ligado ao pai de Nola, que desapareceu, e a um segredo que sua mãe guardou por muito tempo. Como em Querida, o amor que observamos neste livro é diferente do que existe nos outros; é o amor entre familiares, entre pessoas que convivem juntas; ou mesmo, entre pessoas que acabaram de se conhecer.

7- Olhai os lírios do campo - Erico Verissimo

Em Olhai os lírios do campo, temos Eugênio, um rapaz de origem humilde que tornou-se médico com o objetivo de enriquecer e tornar-se respeitado, na década de 1930, em Porto Alegre. Eugênio tem vergonha da pobreza de sua família, e do lugar onde vive, e seu maior desejo é ser rico. Durante a faculdade de Medicina, entretanto (que ele segue sem que seja sua verdadeira vocação), ele conhece Olívia, uma moça que muda completamente sua forma de compreender as pessoas, o mundo e a vida. Entretanto, nem mesmo seu amor por Olívia será capaz de fazê-lo desistir de seu "sonho", e ele a abandona. Três anos depois, arrependido e frustrado, ele resolve começar uma nova vida e corrigir seus erros do passado. Este é um livro maravilhoso, de uma sensibilidade profunda, apesar de o amor não ser seu único tema, pois nele também encontramos as contradições sociais, os conflitos urbanos, e muitas outras questões, além de riquíssimas reflexões filosóficas. É triste em certos aspectos, mas muito emocionante.




8- Slam - Nick Hornby

Slam foi um dos livros mais divertidos que já li (apesar de se tratar de um assunto sério), e tive contato com ele aos treze anos, época em que ainda era muito imatura, e entendia muito pouco da vida. Este é um livro sobre adolescentes, e para adolescentes, pois seu personagem principal é Sam, um garoto de 15 anos que anda de skate, fala muitas gírias, e não é lá muito responsável, por isso acaba às vezes fazendo muitas mancadas. Toda a história começa quando Sam conhece Alicia, uma garota incrível. Aliás, ela parece ser A garota. Aquela que viria para mudar sua vida. E ela realmente muda, mas não da forma como ele esperava. Os dois estão apaixonados, e em pouco tempo de namoro, vem aquela bomba: Alicia fica grávida. Sam tem de enfrentar um monte de responsabilidades que ele sequer imaginava que um dia fariam parte de sua vida. As partes divertidas dão lugar a espécies de flashbacks "ao contrário", em que ele tem revelações sobre seu futuro, baseadas em decisões que tomará (ou não) para sua vida. Neste momento difícil, seu melhor amigo é o poster de Tony Hawk, seu maior ídolo skatista, com o qual ele conversa sozinho e procura compreender melhor a situação em que se encontra. Nesse livro, o amor também vem escrito em outras linhas, embora haja também o amor físico. É uma história divertida, mas ao mesmo tempo muito interessante no que diz respeito às reflexões sobre a juventude, as responsabilidades e, acima de tudo, as prioridades.

 9- Querido John - Nochilas Sparks

Mais uma vez Nicholas Sparks está presente em nosso post, pois seus livros são muito reconhecidos quando falamos de romance, e creio que não poderíamos ignorá-lo. Foi o primeiro livro dele que li, e simplesmente adorei, apesar de não ser muito "fã" de romances. Nele, temos o amor entre John, um jovem revoltado que tornou-se soldado do exército americano, e Savannah, uma jovem universitária, preocupada com as injustiças sociais, que gosta de ajudar os outros e fazer caridade. Os dois se conhecem quando ele está de licença, de volta à pequena cidade em que nasceu e cresceu, e logo se apaixonam. Tudo acontece muito rápido, e a despedida é extremamente dolorosa. Para estar sempre em contato, os dois trocam cartas e e-mails, até o dia em que John recebe a última carta de Savannah, que o magoa muito. Querido John é uma história bonita porque temos aqui um amor que resiste às dificuldades da vida, pois John continua a amar Savannah mesmo depois do fim do relacionamento, e compreende que (ao menos na concepção do livro), amar uma pessoa de verdade é querer vê-la feliz, sem lhe fazer exigências e sem ser egoísta.

10- O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë

Muito antigo e de linguagem complicada, e adaptado para o cinema diversas vezes, além de transformado em telenovelas no Brasil, O Morro dos Ventos Uivantes se tornou popular entre leitores jovens nos últimos anos por ser o romance preferido de Bella, da Saga Crepúsculo. Trata-se de uma história amor não-correspondido, ciúmes e vingança. Narrado pelo Sr. Lockwood, hóspede na fazenda O Morro dos Ventos Uivantes, que ouve nas palavras da governanta Nelly a tragédia de Heatchcliff e Catherine, que se amam desde crianças, mas que jamais chegaram a ficar juntos, devido a uma trama de ódio e ambição. É uma leitura difícil, devido à linguagem antiga, que exige muitas consultas ao dicionário. Como o Sr. Lockwood e Nelly praticamente desaparecem durante a maior parte do tempo, chegamos a ficar confusos quando eles voltam à narrativa. Apesar disso, e de não ser uma história feliz na maior parte do tempo, é um romance muito bem criado, por sua estrutura e pela forma como as coisas se desenrolam, pois tudo nele é extremamente intenso. Sem falar no final inesperado, e relativamente feliz!



Como falei ao longo do post, o Romance não é o meu gênero literário preferido, e minhas experiências com romances são escassas (talvez por isso seja melhor consultar indicações de outros blogueiros). Mas procurei escrever, por saber que os romances são apreciados por muita gente, e minha intenção com o blog é alcançar diversos públicos. Espero que minhas indicações contribuam para o entretenimento de vocês!

Por: Lethycia Dias

A interação e socialização é essencial para o ser humano como um todo, e individualmente, procuramos estabelecer contato com pessoas parecidas conosco; procuramos quem tenha coisas em comum; quem goste das mesmas coisas que nós, e isso é completamente natural. Entre leitores, não poderia ser diferente. Queremos, é claro, conversar com outras pessoas que gostam de ler, e mais ainda: com pessoas que gostam dos mesmos autores, estilos e livros que nós. Por isso, é também normal procurarmos nos aproximar dessas pessoas.

Assista ao vídeo abaixo para entender melhor:



Como expliquei no vídeo, a forma mais fácil atualmente de manter contato com outras pessoas que se interessam pelas mesmas coisas que nós, é através da internet, e principalmente das redes sociais. Uma das principais características positivas da internet é permitir uma comunicação à distância rápida e quase universal. Para quem deseja procurar contato e conhecer outras pessoas nesse meio, decidi deixar aqui uma lista dos principais blogs que leio, canais do YouTube que acompanho e grupos e páginas do Facebook que curto e dos quais faço parte.

Blogs:
Canais do YouTube:
Páginas do Facebook:
É a partir dessas páginas, blogs, canais e grupos que eu acompanho, além da própria página do blog, as comunidades do G+, onde estou bem presente, e o Twitter, que ainda estou usando como experimento de divulgação. Caso queiram fazer mais amizades, e ficar sempre por dentro do universo literário, minhas indicações são boas alternativas, além das páginas de editoras.
É através do contato com outros leitores que percebo a necessidade de escrever sobre determinado assunto, e então mantenho o blog, e tudo funciona como um ciclo. Interação gera necessidade, e necessidade gera interação. Enfim, é isto. Espero poder ajudá-los com minhas dicas!

Por: Lethycia Dias



"Este é o sexto romance de Virginia Woolf. Publicado em 1931, considerado o seu melhor livro, julgamento de resto difícil diante de um conjunto de obras-primas, As Ondas é agora lançado pela primeira vez no Brasil. É neste romance que Virginia Woolf leva mais longe as características de sua ficção. Nele os seis personagens se transformam em algo como seis temas musicais que, desenvolvendo-se autonomamente, articulam-se ao longo do texto como seis vozes à procura de si mesmas e daquilo que as transcenda, que as justifique  e lhes dê sentido, talvez mesmo uma outra Voz, oculta para sempre em meio aos ruídos de uma sociedade em decomposição..."





Autora: Virginia Woolf
Gênero: Romance
Número de páginas: 222
Ano e local de publicação: Rio de Janeiro, 1980
Tradutora: Lya Luft
Editora: Nova Fronteira

Imersão e mergulho


As Ondas é, sobretudo, um livro incomum. Talvez a sinopse não deixe isso claro, mas trata-se de um livro no qual não há narração de acontecimentos. Toda a história se desenrola através dos monólogos de seis personagens: Bernard, Louis, Neville, Jinny, Susan e Rhoda, que parecem conversar entre si, em algumas ocasiões, mas na maior parte do tempo apenas divagam sobre a vida, as pessoas, o mundo ao seu redor, e é dessa forma através de pensamentos perdidos, que ninguém sabe ao certo se são comunicados ou não que a história vai se construindo. As ações dos personagens, quando afirmadas pela própria autora, são apenas o "disse" que identifica a fala de alguém diferente. Quando não é assim, são ações descritas pelos próprios personagens, em seus pensamentos que se desenrolam ao longo das páginas.
Os seis personagens, que se conhecem desde a infância, possuem uma espécie de ligação maior. Não fica claro que sejam parentes, ou qual a relação que possuem, exceto a profunda amizade. Mesmo sendo separados por algum tempo (a ida para colégios femininos e masculinos; as exigências da vida adulta), sempre há uma espécie de reencontro, que segue uma passagem de tempo e precede outra.
Cada período temporário é marcado por um pequeno trecho de narrativa. Em itálico, a autora descreve uma cena litorânea, falando do mar, do céu, de ondas que vêm e vão. Daí o título. Ou talvez esteja relacionado às ondas sonoras das vozes dos personagens, que são o principal elemento aqui.  Essas pequenas narrações são feitas como observações de um único dia, do nascer do sol ao anoitecer, e quando se acabam, representam também o fim da vida dos personagens, como se todo o tempo descrito no livro correspondesse, para as ondas, a um dia só. Essa é a parte poética de As Ondas.

"É inacreditável, porém, que eu não seja um poeta.
O que escrevi na noite passada não foi poesia? Escrevo com rapidez excessiva, demasiada facilidade? Não sei. 
Às vezes, não sei de mim mesmo, nem como medir ou nomear ou somar
os fragmentos que me fazem tal como sou."
Neville, página 63

Por acompanhar intensamente os pensamentos e sentimentos de seus personagens, é uma leitura que exige concentração, e, talvez, uma profunda imersão, para que seja possível penetrar no íntimo de cada um deles, fazendo um mergulho neste oceano. Pode ser uma leitura um tanto confusa, devido à facilidade de se perder entre as divagações de um personagem só, ou mesmo entre as de um de outro. Como os pensamentos de um mesmo personagem aparecem em vários parágrafos consecutivos, cada um iniciado por um travessão, a impressão que se tem, às vezes, é de que outra pessoa começou a falar, e assim, alguns enganos são comuns. É preciso voltar um pouco para dar-se conta de que a mesma pessoa continuar falando, ou melhor dizendo, pensando alto.
O amadurecimento dos personagens é algo interessante de se observar. Apesar de marcados pela passagem de tempo, eles quase não mudam suas convicções e ideias pessoais. É como se, desde a infância, já tivessem pensamentos e personalidades completamente formados, sem ser necessária marcação de mudanças. Paralelamente, as lembranças sempre estão presentes: o choque de Susan ao ver Louis e Jinny se beijando; o desejo tão forte de Bernard de tornar-se um grande escritor; as observações de Neville sobre Percival; o bosque em Elvedon, onde todos estiveram. Lembranças como essas são recorrentes nos monólogos.
Não há uma marcação exata do tempo. Sabemos que deve ser o início do século XX, e mais nada. Vemos Londres, vemos Edimburgo, vemos locais perdidos, não destacados: os personagens simplesmente estão neles. Talvez aí esteja mais um pouco do caráter poético de As Ondas, no sentido de que os detalhes, as informações precisas, se fazem menos importantes do que o que se pensa ou se sente. E assim, vamos compreendendo localidade e tempo, mesmo que não estejam muito bem descritos.

"Ainda assim, acho que as melhores frases são feitas na solidão."
Bernard, página 52

Talvez o pecado do livro seja retratar apenas uma burguesia sem muitas obrigações. Jinny e sua vaidade; Susan em sua fazenda; Louis, cujo pai "é banqueiro em Brisbane"; Bernard, que anota frases num caderno para usá-las quando finalmente começar a escrever seu grande romance, e que sonha com a maneira que seu biógrafo escreverá sobre sua vida. Tudo isso, além das de outras coisas mais diluídas na história jantares, bailes, encontros com pessoas importantes descreve somente um conjunto muito pequeno, muito particular, de uma sociedade, dessa Londres em que os seis personagens se perdem em pensamentos.
A sensibilidade da obra, porém, é muito grande. E ao fim, quando a onda se quebra, sabemos que algo mais também acabou de se partir.

Aspecto positivo: sensibilidade da obra; caráter poético dos devaneios de cada personagem.
Aspecto negativo: confusão causada pelos travessões, colocados quando um mesmo personagem continua falando; retrato de uma parcela pequena da sociedade.

Por: Lethycia Dias




Quem gosta de escrever e pretende iniciar uma espécie de "carreira", mas não sabe ainda por onde começar, já sabe (ou pelo menos deveria saber) da grande importância que os concursos literários podem ter grande importância quando ainda se é desconhecido, ou quando há dificuldade em conseguir aceitação por parte das editoras. Eu mesma, já participei de vários concursos literários, e tenho participação em algumas publicações.
O a experiência com concursos literários é maravilhosa. Não digo no sentido de alcançar fama da noite pro dia, porque isso dificilmente acontece, seja como for. Digo no sentido de conhecer outras pessoas que também gostam de escrever (porque dessa forma fiz alguns amigos no meio), e também porque assim nos sentimos muito mais incentivados a continuar fazendo o que gostamos, e também a continuar seguindo nossos sonhos. Essa é a melhor parte!

É por isso que estou aqui hoje para fazer a divulgação de um concurso literário.

O blog dá importância ao leitor, mas também ao escritor iniciante ou amador, porque entende que todo escritos é também leitor, e afinal, um precisa do outro, não é mesmo? Escritor e leitor vivem quase numa relação de simbiose, não podem existir separadamente. Por isso, dou todo o apoio a quem gosta de escrever.
Então, vamos direto ao assunto:

Antologias Seres Amazônicos e Épicos Homéricos


O blog Pânico Psicótico lançou, desde abril, um concurso literário que resultará na publicação das antologias Seres Amazônicos e Épicos Homéricos, Serão aceitos somente contos que adequados ao tema proposto (lendas amazônica/mitologia grega), que não sejam fanfictions ou criações relacionadas com outras obras já existentes, e que sejam escritos por autores que 18 anos ou mais; ou ainda por menores que tenham a permissão de seus responsáveis.
Os textos, formatados de acordo com as exigências do edital, devem ser enviados para o e-mail moccoelho@gmail.com, com o assunto CONTO PARA [NOME DA ANTOLOGIA], seguido do nome do autor, até 31 de julho de 2015.
Para consultar o edital completo, acesse o seguinte link:

O concurso é organizado por Maurício Coelho, nascido no Pará.

O objetivo deste post é divulgar um concurso literário, pois julgo que seja interessante para os leitores. O concurso não é de responsabilidade do blog Loucura Por Leituras. Estou apenas ajudando na divulgação, e portanto, mais informações devem ser cobradas no link do edital indicado acima.

Por: Lethycia Dias

Sei que existe uma preferência enorme para os romances (sejam eles de ficção, aventura, suspense, terror, policial, ou mesmo romances românticos), excluindo outros tantos livros que também podem agradar ao grande público, mas que por vezes ficam no segundo (e talvez até no último) plano. Dessa forma, o conto, a poesia, a crônica ficam desprezados. E isso é porque estou falando só dos tipicamente literários. Outros tipos de livro que não se identificam tanto como literatura, como a biografia, o ensaio, o texto acadêmico, permanecem esquecidos, renegados pela maioria dos leitores.
Por que isso acontece? Eu poderia tentar fornecer um monte de explicações. Poderia dizer que o mercado editorial faz um apelo muito grande ao romance contemporâneo, e principalmente às histórias escritas para e protagonizadas por adolescentes. Poderia dizer que os outros gêneros são simplesmente pouco conhecidos mas então estaria mentindo, porque não são. Poderia dizer que é simplesmente a preferência geral da maioria dos jovens leitores brasileiros, mas aí estaria rejeitando a opinião de leitores mais maduros, leitores adultos, que não leem somente livros, mas também jornais e revistas, e curtem sim outros estilos. Poderia dizer tantas coisas, mas acho que nenhuma delas chegaria a oferecer uma explicação satisfatória. Então, não vou tentar dar explicações para uma coisa que acontece no meio literário, e que nem mesmo nós, que gostamos de livros, entendemos muito bem.
O objetivo desse post é simplesmente mostrar que existem outros tipos de leitura, que podem ser tão interessantes como os romances da lista de "mais vendidos", porque, afinal, estar na tal lista nem sempre significa que um livro seja realmente bom. É só o excesso de publicidade que nos faz pensar isso.

Vou mostrar, aqui, algumas leituras que tenho colecionado, e que fogem um pouco ao padrão predominante:

Poesia:



Tenho vários livros de poesia, e confesso que ainda não li todos.  Alguns, como o Bar do Escritor, o título de cima, não contém apenas poesias, mas também alguns minicontos. Um dos outros, cujo nome não é possível ler na foto, contém poesia de cordel. O Livro de Sonetos, de Vinícius de Moraes, é simplesmente maravilhoso.  

História:


Ganhei Uma Breve História do Mundo como presente no ano passado, e até publiquei a resenha por aqui. Não é um romance histórico, é realmente um livro de história não-didático, e me interessei muito pelo gênero. Por isso, comprei Uma tragédia francesa, que ainda não li, mas se encaixa no estilo.

Revistas:


Revistas podem oferecer são leituras muito interessantes, e existem publicações de todos os tipos. Há algumas voltadas para adolescentes, como a Capricho e a Atrevida; outras são revistas de notícias, como a Veja, a Época e a Carta Capital; há também algumas voltadas para a ciência, como a Galileu e a Super Interessante; e ainda algumas de curiosidades, como a Mundo Estranho. Há revistas de esportes, revistas sobre animais, revistas voltadas para professores, revistas de literatura, revistas de conteúdo adulto, revistas de humor. São publicações extremamente variadas, que podem ser semanais, quinzenais ou mensais, e muitas delas são boas. São uma ótima pedida para quem gosta de experimentar conteúdos sempre diferentes.

Conteúdo acadêmico:


A leitura acadêmica é quase sempre restringida a quem faz algum curso superior, e é difícil ver outras pessoas que a apreciem. É também muito diversificada, podendo abranger uma imensa diversidade de temas dentro do universo de um só curso de graduação. Costumam ser complexas, mas podem ser muito interessantes. Os dois livros da foto são relacionados ao meu curso, Jornalismo, e pelo menos o de cima, que estou quase terminando de ler, é maravilhoso. Quanto ao segundo, tenho boas expectativas. Se eu tivesse conhecido os dois por outro meio que não fosse a exigência da faculdade, teria a curiosidade de lê-los do mesmo jeito.

Contos:


Sei que ainda é um gênero literário, mas muito ignorado. Contos podem ser incríveis, e são muito fáceis e rápidos de ler. Os livros de contos não costumam sem muito volumosos, a não ser que sejam coletâneas completas de um só autor. Entretanto, costumam ser publicados também em volumes de autores diversos, organizados por época ou por assunto. São ótimos!

Ensaio/biografia:


Confesso que ainda não li os dois livros da foto, assim como também nunca li nenhum ensaio ou nenhuma biografia, então não posso dar minha opinião. Só o que posso dizer é que conhecer um tipo diferente de leitura pode ser uma experiência muito rica, e é isso que espero destes dois livros.

Crônica:


A crônica também é um gênero literário, mas tão ignorada quanto a poesia ou o conto. São curtas, fáceis de ler, e costumam ser publicadas em jornais ou revistas, podendo ser divertidas ou trágicas, ou ainda bastante críticas. Às vezes são reunidas em coletâneas. Também já fizemos um post sobre isso.


Estes nem são todos os tipos não convencionais; são apenas os que eu podia mostrar, mas existem ainda outros. Meu irmão, por exemplo, dificilmente lê um livro do início ao fim, mas é um verdadeiro devorador de mangás, os quadrinhos japoneses. E muito antes de surgirem as superproduções dos filmes da Marvel, sei que já existia uma legião de fãs de HQ's, que também são leitores. Não leitores de livros, mas ainda assim leitores. E nem mencionei aqui os leitores de jornais, ou de artigos de opinião. Lembrando: a leitura é muito diversa!
Dessa forma, vemos que não são apenas as "estórias" que fazem um leitor. Elas predominam, é claro, mas existem muitos outros tipos de leitura, que agradam a públicos também muito diversos. Eu tenho preferência declarada por livros e revistas (e sinceramente, me confundo ao tentar ler um mangá), mas devemos lembrar que sempre há alguém que gosta de algo diferente, e que isso não é ruim; pelo contrário, é bom, é maravilhoso.
Então, lembrem-se: Nem só de estórias vive o leitor!

Por: Lethycia Dias

"A ideia do presente depoimento surgiu da presença  de Domitila Barrios de Chungara na Tribuna do Ano Internacional da Mulher, organizada pelas Nações Unidas e realizada no México, em 1975. Ali conheci esta mulher dos Andes bolivianos, esposa de um trabalhador mineiro, mãe de sete filhos, que chegou à Tribuna representando o "Comitê de Donas de Casa do Siglo XX", organização que agrupa as esposas dos trabalhadores daquele centro produtor de estanho. Pelos seus anos de luta e em reconhecimento de autenticidade de seu compromisso, as Nações Unidas a convidaram oficialmente para estar presente naquela reunião. Sendo a única mulher da classe trabalhadora que participou ativamente na Tribuna em representação da Bolívia, suas intervenções produziram um profundo impacto entre os presentes. Isso se deu, em grande parte, porque 'Domitila viveu o que as outras falaram', segundo o comentário de uma jornalista sueca. Este relato, que Domitila considera a "culminação" de seu trabalho na Tribuna, é o grito de um povo que sofre porque é explorado. Ademais, revela como a liberação da mulher está fundamentalmente ligada à liberação sócio-econômica, política e cultural do povo e que sua participação no processo si situa nesse nível."
Moema Viezzer, em "Ao Leitor"

Gênero: Não-ficção
Número de páginas: 305
Autora: Moema Viezzer
Ano e local de publicação original: 1977, México
Tradutor: Edimilson Antonio Bizelli
Editora: Siglo XXI Editora

Um povo que ganha voz


Composto de vários relatos colhidos e organizados por Moema Viezzer, socióloga brasileira que conheceu Domitila na Tribuna do Ano Internacional da Mulher no México, em 1975, Se me deixam falar pode ser resumido em um testemunho de coragem. Natural de um país que durante décadas foi marcado pela instabilidade política, e cuja população se compunha, na maioria, de camponeses, operários e mineiros, Domitila viveu em meio à injustiça social, e logo deu-se conta do quando o trabalhador comum é explorado em seu país (não muito diferente de qualquer outro país. Esposa de um trabalhador da mina Siglo XX, sempre passou por privações: as moradias eram precárias e emprestadas; os salários eram baixos; o trabalho era perigoso e exaustivo; a educação e a saúde eram insuficientes; não havia outras fontes de trabalho para os jovens. Essa era vida de Domitila, este o único mundo que ela conhecia. Entretanto, não abaixava a cabeça. Ensinada pelo seu pai a não aceitar as coisas como elas são, ela sempre lutou para que os trabalhadores tivessem uma vida melhor, e para que a mulher, em especial, fosse mais respeitada.
O relato, em primeira pessoa é simples, está divido em três partes: "seu povo", "sua vida" e "o que clama meu povo". Ao fim, segue uma entrevista de Domitila para Moema, sobre a publicação do livro. Do início ao fim, Domitila descreve o ambiente em que vive, os terríveis abusos cometidos pelo governo de seu país, pelo exército, e pelo próprio sistema capitalista, que causa a exploração incessante dos trabalhadores. Sim, Domitila é socialista. Ela recorre a alguns fatos históricos para nos falar desse mundo que conhece, dessa vida sofrida, dessa luta por dignidade. Mudanças de governo, golpes de estado, guerrilhas. Ataques armados, repressão, censura, prisões injustificadas, ameaças, tortura. Qualquer semelhança com nossa ditadura militar é pura realidade.
Se você se interessa por causas sociais; se está atento às atitudes autoritárias de governos que se dizem democráticos; se critica o imperialismo, a busca exagerada pelo lucro, este talvez seja um bom livro. Caso contrário, pare já. Trata-se de uma história real, que recorta um cotidiano triste, desolador. Aqui não há nada de extraordinário ou fantástico, e nem a esperança de um final feliz. O que se vê, até as últimas páginas é sofrimento, pontuado por curtas passagens de otimismo e esperança, que logo se desfazem diante da força repressora do Estado.

"Por que permitir que uns poucos se beneficiem dos recursos que há na Bolívia
e nós fiquemos, eternamente, trabalhando como animais,
sem ter maiores aspirações,
sem poder prever um futuro melhor para os nossos filhos?"
(Página 60)

A luta sindical se faz presente a todo momento, e é um dos elementos mais importantes. Foi através do que aprendeu com seu pai (um militante convicto) e das experiências sindicais, que Domitila recebeu e fortaleceu seus ideais, tornando-se uma líder respeitada por seus iguais, e igualmente perseguida pelo governo. Os sofrimentos enfrentados por ela, aliás, são chocantes, e é difícil acreditar que tenha sobrevivido.
A luta dos mineiros da Siglo XX teve repercussão durante a época, e foi feito em 1971 um filme a respeito, chamado A coragem do povo. A atuação de Domitila na Tribuna, no México, foi decisiva para seu reconhecimento mundial. Foi assim que conheceu Moema, foi assim que ganhou a oportunidade de tornar seu povo visível. Se me deixam falar pode não ser o primeiro na minha lista de intenções de leitura, e com certeza não entrará para a lista dos meus preferidos, mas é sobretudo um relato de força.

Aspectos positivos: a linguagem é simples, e a leitura, rápida.
Aspectos negativos: não é uma história alegre, não é nem um pouco fácil de encarar. É revoltante e pessimista em alguns pontos.

Obs.: A estrutura de nossas resenhas mudou. A partir de hoje, novas informações estão sendo incluídas, como se pode notar acima. Número de páginas, gênero, ano e local de publicação, editora e título estarão no início da resenha. Ao final, virão os aspectos negativos e positivos, destacados das minhas opiniões gerais. Espero que isto contribua para a melhor compreensão das resenhas. O que acharam?

Por: Lethycia Dias

Olá, leitores de todos os lugares! Fui indicada pelo blog A Culpa é dos Livros para responder à TAG Personagens Opostos! É o primeiro post do tipo que faço, e espero sinceramente que manifestem sua opinião sobre o que vou escrever abaixo.

1- Um personagem forte e um fraco

Forte:


Para o personagem forte, escolhi Mariam, de A Cidade do Sol, uma mulher que para mim define a força e resistência femininas. Forçada a casar-se, aos 15 anos, com um estranho, Mariam sofre muito ao longo de toda a história, mas demonstra uma determinação imensa para sobreviver à opressão de um marido violento, e do próprio regime de seu país, o Afeganistão, que por ser de orientação islâmica, é desfavorável à mulher.

Fraco:

Os fãs da saga Hush Hush que me perdoem. Li os livros por indicação de um amigo, e só não parei pela curiosidade sobre o Patch, mas não conseguia concordar com muitas das atitudes da Nora. Ela age quase sempre por impulso, levada por suas emoções momentâneas sobre Patch (principalmente quando sente ciúmes), ou por qualquer outra pessoa (Marcie, por exemplo). Em muitas ocasiões, ela simplesmente desiste de tudo e chora.

2- Um personagem velho e um personagem criança:

Velho:

Há vários personagens velhos em toda a série O Tempo e o Vento, de Erico Verisimo, mas a personagem que decidi destacar é a Maria Valéria, tia do Dr. Rodrigo, que aparece, se não me engano, em O Continente 2, e permanece até O Arquipélago 3. Sempre presente na narração, que em O Retrato é feita pelo Dr. Rodrigo, e em O Arquipélago dividida por uma uma grande quantidade de pontos de vista, Maria Valéria enfrenta com firmeza as várias coisas pelas quais a família passa neste período de fim do século XIX até a década de 1940.

Criança:


Mary Lennox, de O Jardim Secreto é uma garota de origem inglesa criada na índia numa casa onde tinha tudo o que queria, e era, por isso, muito mimada e "mandona". Ao ser levada para viver na Inglaterra com seu tio Archbald Craven numa casa que se dizia ter mais de cem quartos depois que toda a sua família morre de cólera, Mary tem muitas lições a aprender, e algumas delas são a solidariedade e o amor. A personagem cresce muito durante a narrativa.

3- Um personagem reservado e um personagem que é um "livro aberto":

Reservado:


Charlie é um grande exemplo de personagem reservado. Ele é tímido, envergonhado, e sente muita dificuldade de se expressar. Tem dificuldade para fazer amigos, e para compreender as pessoas, e é sua grande dificuldade de falar de si mesmo que o leva a escrever cartas sobre sua vida para um desconhecido.

"Livro aberto":


Samantha Kingston é um verdadeiro livro aberto. Durante os sete dias mais loucos de sua vida (que na verdade é um só, que se repete várias vezes), ela não consegue, em muitas ocasiões, disfarçar as emoções. Seus conflitos e dilemas saem de dentro dela para refletir-se em suas ações e no impacto que elas têm sobre as pessoas ao seu redor.

4- Um personagem bom e um mau:

Bom:


Em Poderosa, uma divertida série de livros sobre uma garota que tem o poder de transformar suas palavras em realidade, a personagem boa é a Vó Nina, aquele exemplo que todo mundo conhece se avó que cozinha bem, que conversa com a gente sobre tudo, que tenta entender nossos problemas e está sempre resolvendo tudo. É aquela avó que todo mundo queria ter!

Mau:


A srta. Taylor, a segunda preceptora contratada para educar Gilles, é a maldade em pessoa, de acordo com Florence, que é quem narra a história. Trata-se de um suspense com um pouco de terror, e muitas vezes a srta. Taylor faz coisas impensáveis, ou que parecem sobrenaturais. Acrescente a isso o grande medo que Florence tem de que ela faça mal ao seu irmão, e pronto: temos uma verdadeira bruxa má!

5- Um personagem que eu gosto e um que eu odeio:

Gosto:


Para esse livro, tive que buscar a capa antiga (que aliás, acho mais bonita do que a nova), pois o personagem de quem mais gosto em A menina que roubava livros é a Morte. Para começar, é ela quem narra toda a história. E ela é irônica, um tanto pessimista (mas na medida certa para a época que retrata), e faz a história de Liesel Meminger parecer muito mais cativante do que se fosse "apenas mais um diário da Segunda Guerra".

Não gosto:


Em uma série com tantos personagens, é impossível gostar de todos, até porque estamos sempre torcendo para que alguém se dê bem de alguma forma. Em As crônicas de gelo e fogo existem muitos personagens pelos quais ainda não formei opinião (afinal, não terminei a série), e muitos dos quais já decidi que não gosto de jeito nenhum. Não vou fazer uma escolha óbvia, como apontar a Cersei, ou o Lorde Frey (dos quais também não gosto). Vou apontar um personagem que sempre que aparece me dá preocupação e medo, e que não fez até agora nada que eu concordasse ou entendesse: Sor Gregor Clegane. Posso defini-lo em poucas palavras, é um homem irracional e bruto, que só entende a violência e não praticou (até onde li) nenhum ato que não fosse cruel e desumano.


Enfim, esses foram os personagens que escolhi, e espero receber a opinião de vocês sobre minhas escolhas, até porque esse post (a TAG) me deixou um pouco insegura, porque foi algo que nunca fiz antes. Agora, os blogs que resolvi indicar:



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