Confira!



Para uma pessoa que lê ininterruptamente desde os 13 anos, pode-se dizer que eu tenho poucos livros. Muito poucos, aliás, caso eu vá comparar com meus melhores amigos, que compram mais de um livro por mês. Tenho um amigo que é assim. Ele compra tantos! Ano passado, em agosto, eu lhe dei um livro do Nicholas Sparks como presente de aniversário, e ele demorou meses para começar a ler, porque estava lendo os livros que havia comprado antes.
Eu nunca fui assim. Comecei minha coleção de livros aos 14 anos, e só tinha alguns títulos, comprados pelo catálogo da revista Avon, quando sobrava dinheiro. Eu tinha que pedir para minha mãe, falar do quanto aquele livro parecia ser legal, do quanto eu estava interessada, e se o preço estivesse legal, ela comprava para mim.
Mas eu havia começado a ler com grande frequência por volta dos 12 anos, e simplesmente não tinha acesso a livros. Eu não frequentava grupos de leitura, e nem curtia páginas de editoras, nem assistia a vídeos de youtuber's famosos, como faço hoje em dia. Aliás, eu nem tinha Facebook (o Facebook provavelmente não existia ainda)! E YouTube, pra mim, só servia pra ver vídeos engraçados e bonitinhos, eu sequer imaginava que alguém criaria um canal para falar de coisas que as pessoas gostam, e compartilhar informações e opiniões sobre isso! Eu não ia a livrarias, e não comprava livros. Não sabia o que era novidade, lançamento, best-seller. Minha única fonte de contato com livros era nada mais nada menos que a biblioteca da escola pública em que eu estudava.
Isso significa que lá eu encontrava, em sua grande maioria, livros brasileiros mais ou menos contemporâneos, literatura infanto-juvenil, e clássicos da literatura brasileira ou mundial, além de muitos dicionários e enciclopédias. Eu percorria aquele espaço sempre à procura de alguma coisa nova ou diferente que me agradasse. Eu não sabia o que era resenha, e nem pedia indicações para amigos, porque os amigos que eu tinha na época não gostavam de ler. Então tudo o que eu podia fazer era procurar aleatoriamente, até encontrar. Quantas vezes voltei atrasada do recreio porque demorei para pegar algum livro legal!
Essa situação (de frequentar assiduamente bibliotecas escolares) continuou praticamente até o meu terceiro ano do Ensino Médio - que foi no ano passado - com a diferença de que aos 15 anos eu passei a ter amigos que gostavam de ler, e que me emprestavam seus livros; e passei também a adquirir livros com mais frequência, aumentando aos poucos minha parca coleção.
Na minha vida de bibliotecas e de pedir emprestado, eu li tanto! Harry Potter; A Menina Que Roubava Livros; Querido John; O Diário de Anne Frank; Hilda Furacão; a Saga Crepúsculo; a saga Hush Hush; Fallen; Anjos e Demônios; O Código da Vinci; Inferno; Os Pilares da Terra; A Hora da Estrela; Noite na Taverna; O Quinze; O Caçador de Pipas; A Cidade do Sol; O Homem Que Calculava; O Guarani; Zorro; Gabriela, Cravo e Canela; Pollyana; A Moreninha; O Tempo e o Vento; Olhai os Lírios do Campo; O Resto é Silêncio; Cidade de Deus; Negrinha; Jardim Selvagem; Cinzas do Norte; Leite Derramado; Boca do Inferno; Dias e Dias; Cem Anos de Solidão; As Esganadas; O Homem que Matou Getúlio Vargas; Assassinatos na Academia Brasileira de Letras; A Arca dos Marechais; Crônica de Uma Morte Anunciada; O Amor é Um Pássaro Vermelho; a série Poderosa; O Jardim Secreto; Luna Clara e Apolo Onze; Marley e Eu; O Pequeno Príncipe; Soul Love; Slam; Doze Horas de Terror; A Sombra do Vento... Tantos! E podem ter certeza de que eu não citei nem a metade deles!
É claro que hoje em dia minha coleção está muito maior do que eu imaginava naquela época dos catálogos da Avon, mas quando paro e penso naqueles livros que eu li e que mais gostei, que me fizeram rir mais, que me chocaram muito ou abriram meus olhos para certas situações, eu me dou conta de uma coisa interessante, chata, e ao mesmo tempo triste: eu não tenho os meus livros preferidos. Na época em que os li, eu não me importava de estar pegando um empréstimo numa biblioteca ou com um amigo, mas hoje eu sinto falta deles pelo fato de não poder lê-los outra vez, a não ser que os compre, um por um.
Harry Potter é o maior exemplo disso: eu sou mais do que fã! Li os livros entre meus 13 e 14 anos, e vi todos os filmes ao longo do meu próprio crescimento, chegando a assistir ao último no cinema. Morro de vontade de ler tudo de novo, mas acabo sempre adiando o projeto, seja porque pretendo ler outros livros, seja por causa dos preços dos livros da série (que vamos falar sério, não são baratos!).
Até mesmo As Crônicas de Gelo e Fogo, que eu simplesmente adoro, peguei emprestado com uma amiga, e na edição econômica, o que me deixa afobada e preocupada: tenho que cuidar dos livros como se fossem meus, para poder devolvê-los de forma conservada, e me esforço muito para isso!
Dessa forma, quando me lembro das boas histórias que já li, só me resta uma nostalgia, uma saudade das coisas boas que conheci entre prateleiras empenadas e empoeiradas de bibliotecas, que eu tanto adorei, e que queria muito ter para poder ler de novo, e de novo e de novo.

"Este livro, estreia impressionante de um jovem e talentoso escritos, é o relato pecaminoso de um decadente. A história de um homem religioso e carismático, temente a Deus, mas amante insaciável de sua própria carne exótica, a carne de outros homens. Um pastor gay, casado com uma ex-prostituta, filho de uma fanática religiosa. Neurótico e depravado. E agora condenado. Internado num hospital, debilitado e com um segredo de uma tonelada nas costas, este personagem atormentado decide libertar-se de seus demônios e relatar seu drama. Num relato cru e sem censura, ele literalmente vomita seus trinta anos de calvário e charlatanice na cara da congregação (e de quem se interesse por um bom inferno). Sexo, paranoia, corrupção e destruição são os ingredientes tóxicos dessa obra provocante, polêmica e inovadora.

Autor: Gustavo Magnani
Gênero: Memórias
Número de páginas: 227
Local e ano de publicação: São Paulo, 2015
Editora: Geração Editorial

A dor de não se amar


Há muito tempo eu não lia um livro que me chocasse e surpreendesse tanto. Numa das épocas em que temos cada vez mais dificuldade de aceitar socialmente aqueles que são diferentes de nós - e de aceitar que direitos devem ser dados a cada minoria social de acordo com suas singularidades - encontrar em plena literatura nacional um livro repleto de tanta sensibilidade, um relato tão livre, sem cortes e sem vergonhas, foi como encontrar a luz em meio a tanto preconceito e intolerância para os quais fechamos nossos olhos hoje em dia.
Gustavo Magnani é idealizador do Literatortura, um dos maiores sites literários do Brasil, e com a ousadia de seus vinte anos, nos traz um personagem caráter duvidoso, que vive uma vida dupla, e que ao se descobrir à beira da morte decide escrever suas memórias em um caderno secreto, um "diário suicida", como ele prefere chamar, onde revela todos os segredos que sua mãe e principalmente seus fiéis jamais imaginaram. É sua sentença, sua condenação, e ao mesmo tempo, sua carta de alforria: o momento de colocar para fora todo o sofrimento de anos vivendo uma vida que não desejou e da qual não tinha coragem de se libertar.
Eliseu foi criado sob as amarras rígidas de sua mãe, uma mulher que vive para e pela religião. Em outras palavras, uma fanática, que enxerga pecado e imoralidade em tudo, que divide todas as coisas entre "de Deus" ou "do diabo", e que desde sempre impôs sua vontade sobre a do filho preferido: ele havia nascido para ser pastor, estava escrito. Nada poderia mudar isso, nem mesmo a própria vontade de Eliseu, que desde criança já sabia de sua condição, e que por toda a vida se escondeu, sabendo que as pessoas de seu meio religioso sempre o condenariam. Dessa forma, ele se torna pastor, acreditando não ter outra opção; casa-se com uma mulher, mesmo amando homens; vive uma vida de mentiras, acreditando que mentir é um grande pecado, mas não maior do que o pecado de ser gay.
Completamente segmentado, o livro divide-se em quatro partes compostas por capítulos que vão e voltam sem cronologia - as memórias surgem quando querem. Às vezes curtíssimos, às vezes mais elaborados, os capítulos deslizam em lembranças felizes e amargas, sem papas na língua. Conhecemos o personagem Eliseu muito melhor do que as pessoas que o cercam. Ele disseca sua própria vida, falando de seus temores, de sua fé, de sua dedicação pela igreja, de seu amor pela esposa e pelos filhos (de certa forma, ele a ama), de seu desprezo pelo próprio pai, do medo que sempre teve de enfrentar a mãe, da inveja que sente de pessoas que, ao contrário dele, assumiram os próprios desejos. Alternando o ritmo da narrativa e do estilo, num relato agonizante de quem sabe que vai morrer, ele nos conta tudo. O pregador santo, o bom esposo e bom pai, o homem que se odeia. Essas são apenas algumas facetas do pastor gay.

"Este diário é como uma autobiografia ou carta de suicídio prolongado de quem morre aos poucos, sem ter vivido direito, inspirado por coisas que li e que vivi,
de capítulos sem ordem lógica, gosto duvidoso e linguagem questionável."
Das explicações prévias. Página 16.

Um aspecto importante sem sombra de dúvidas é o da múltipla abordagem da homossexualidade. Na maior parte do tempo, a própria narração e elaboração da história a apresenta sob a ótica do preconceito e da intolerância: (sic) "pecado, abominação"! Em outras, nós percebemos o quanto o personagem luta entre suas convicções morais e sua própria natureza. Ocasionalmente, temos referências à visão da psicologia sobre a homossexualidade, quando temos contato com a personagem Pietra. Resta ao leitor encarar o problema de acordo com suas próprias ideias. No que acreditar? Magnani não nos deixou uma resposta; cabe a nós refletir.
As grandes contradições da igreja também são questionadas em determinado momento. Eliseu, como pastor e conhecedor da Bíblia, nos fala sobre isso em várias passagens de seu diário suicida. Talvez esses trechos sejam úteis para que um leitor religioso busque reforçar aquilo em que acredita, ou, ao contrário, realçar seu senso crítico.
Em alguns momentos intenso, em outros, hilário, Ovelha - Memórias de um pastor gay é o tipo de livro que você vai ter que ler em pausas, afim de se recuperar da grande carga emocional. Entretanto, sejam lá quais forem as conclusões que você conseguirá tirar no final, uma coisa é certa: a emoção está garantida. Se não for durante toda a narrativa, com certeza será no final.
Faço minhas recomendações deste livro intenso para os leitores mais maduros, que tenham a certeza de não se incomodar com a falta de censura. Como eu disse mais acima, Eliseu nos conta tudo! E no fim, nós acabamos por entendê-lo, nos emocionamos com ele, e lamentamos por sua vida.

Aspecto positivo: narrativa rápida, linguagem coloquial, capítulos curtos, trechos íntimos e explícitos podem quebrar tabus, presença de um capítulo explicativo sobre a vida de Bianca;
Aspecto negativo: a alternância entre passado e presente pode confundir o leitor; o capítulo "O mundo dos evangélicos" (página 118) é completamente desnecessário.

Por: Lethycia Dias

"'Hoje se pensa que o ódio e a violência sejam o segredo, a forma de fazer progredir a humanidade. A nossa revolução avança contra esta mentalidade. Ela leva o amor e dá Deus ao mundo, e coloca a Seu serviço família e riquezas, arte e ciência, política e trabalho, filosofia e teologia, vida e morte.' Era o que Chiara Lubich pedia aos jovens do Movimento dos Focolares e Charles, no gueto onde vivia, deu a vida por estas palavras revolucionárias. [...] A sua história, simples e extraordinária, fascina ainda hoje. Já é famoso o musical Streetlight, do Gen Rosso, inspirado na sua vida, e o projeto Fortes Sem Violência, desenvolvido pelo grupo, com atuação ativa de muitos jovens, nas escolas, presídios, e nos bairros mais carentes de vários países, do México à China, Alemanha, Cuba, Polônia, Jamaica, doando a todos a esperança que animava "Charles dos guetos negros".
Texto sobre Charles Moats, retirado do site do Movimento dos Focolares.

Autor: Marco Mascellani
Gênero: Biografia
Número de páginas: 103
Local e data de publicação: São Paulo, 2013
Tradução: Alexandre Araújo
Editora: Cidade Nova

Segregação, discriminação e pacifismo


Imagine um jovem negro assassinado a tiros no momento em que entrava em casa. Poderia ter acontecido na semana passada, ou hoje mesmo, em qualquer cidade do Brasil, mas na verdade aconteceu em 1969 na cidade de Chicago, no estado de Illinois, nos Estados Unidos da América. Charles, Um de Nós é a biografia de um jovem que viveu por um curto tempo, mas de forma extraordinária; que serviu de inspiração para todos que o conheceram; e que sofreu com as terríveis injustiças causadas pelas desigualdades sociais e preconceitos da época.
Charles Derrick Moats nasceu em 1951, e viveu toda a sua vida em Chicago, uma das cidades mais ricas e prósperas dos Estados Unidos, local de residência de empresários de sucesso, com avenidas e bairros elegantes reservados para a mais alta sociedade. A mesma cidade, entretanto, era dividida geograficamente por imposições sociais de racismo e classe social. Se de um lado as pessoas mais ricas viviam confortavelmente com todo o luxo que podiam exigir, no gueto viviam os mais pobres, isto é, os negros. Nessa região da cidade ficavam as fábricas que poluíam o ar; as residências não tinham sistema interno de aquecimento; a educação era de baixa qualidade; havia muita sujeira nas ruas, e a miséria era mais do que visível. Os guetos eram dominados por gangues, e era muito comum ver pessoas morrendo sem motivo aparente; meninos, desde muito cedo, eram convidados para participar de grupos criminosos, que eram a única perspectiva de vida que conheciam. Charles viveu os primeiros anos de sua vida num bairro classe média, mas quando sua família foi atingida por dificuldades financeiras, a única opção que tiveram foi mudar-se para o gueto, conhecido como Conjunto Habitacional Robert Taylor Homes. Foi quando Charles, um jovem sensível e muito inteligente, deu-se conta do quanto a vida era injusta, do quanto o mundo é cruel, do quanto as pessoas parecem estar cada vez mais tomadas pela própria ambição e desejo de destruição.
Charles era um rapaz inteligente e muito sensível. Gostava de ler, era apaixonado por ciência, especialmente astronomia, e escrevia poemas que demonstravam sua grande preocupação com a vida e com as pessoas em geral. Sabia tocar bateria e violão, e ao mesmo tempo em que estudava, tinha um emprego de meio expediente no Westside Veterans Hospital. Era, como se pode ver, um jovem responsável, aparentemente com um futuro inteiro pela frente.
O que mais preocupava Charles era, realmente, as injustiças do mundo, a falta de esperanças concretas de viver em um lugar melhor, e a grande miséria do gueto negro. A lei dos bairros ricos e elegantes não existia dentro do gueto, onde as pessoas viviam à mercê de grupos criminosos que criavam as próprias regras.

"Assim, podia-se frequentemente observar os mais novos receberem na rua instruções sobre como atirar ou, em todo caso, como matar, como se tornar um killer por poucos dólares ou por medo de retaliações. Até Charles teve de ser defender de desmandos de todos os tipos e de coerções a que estavam sujeitos os meninos, de propostas más feitas por gangues que ali se fixam como erva daninha, atuando impunemente."
Página 42.

Em 1967, quando beirava os 15 anos, Charles encontrou a resposta para seus questionamentos mais profundos e suas preocupações mais angustiantes quando conheceu o Movimento Gen (Geração Nova, criado pelos Focolares), um movimento que utiliza a religiosidade em prol da paz mundial. e que espalhou-se pelo mundo todo. Em Chicago, Charles esteve em contato com jovens de diferentes origens e classes sociais que acreditavam no ideal de que todas as pessoas poderiam um dia vir a aceitar-se umas às outras como são. A partir daí, a vida de Charles mudou: ele se envolveu o máximo que podia com os gen, e a partir daí, passou a viver segundo ideais de felicidade, paz, e religiosidade, que o fizeram mais feliz. Até mesmo através de seus poemas, transcritos e traduzidos no livro, é possível perceber o quanto o trabalho no Movimento Gen o influenciou de forma positiva.

"Podes morar em um palácio ou em um barraco,
mas sempre deves ser capaz de fazer da tua casa um paraíso."
Pensamento gen

Entretanto, o Movimento Gen tornou sua vida mais perigosa. Charles precisava atravessar diferentes regiões da cidade para participar das reuniões do movimento, e frequentemente era visto com jovens brancos, o que não agradava nenhum pouco os integrantes das gangues do gueto. Forçados a viver sob um verdadeiro regime de segregação, em que os brancos tinham dinheiro, conforto e acesso ao melhor que a cidade podia oferecer, e aos negros restava a miséria, as doenças e a fome, os jovens do Conjunto Habitacional Robert Taylor Homes viam as pessoas brancas como inimigas. Charles, que não aceitava participar das gangues, que não cometia atos de violência, e que andava em companhia de rapazes e moças brancos, era visto como um traidor. Por causa disso, Charles passou a correr perigo diariamente.
Mudando-se para a casa de seus avós no mesmo bairro onde vivera seus primeiras anos de vida, Charles acreditava estar protegido, mas duas vezes escapou de tiroteios e brigas nos quais parecia estar sendo perseguido.
No ano de 1969, Charles havia sido escolhido para representar os Estados Unidos, ao lado de outro jovem, no Congresso do Movimento gen em Roma. Entretanto, não chegou a embarcar em direção à Itália, pois foi vítima de um atentado a tiros no dia 24 de junho de 1969, na porta da casa de seus avós. Permaneceu em coma num hospital durante quatro dias, tendo sua morte clínica no dia 28. Seu assassino não chegou a ser descoberto, mas tudo indicava que sua morte fosse obra de membros das gangues.
O livro, escrito em sua homenagem cerca de 30 anos após sua morte, é um relato simples e leve, que vai direto ao ponto. Através dele, acompanhamos Charles desde seus primeiros anos de vida, e conhecemos sua personalidade: um jovem calmo, inteligente, sensível e que despertava encanto em todas as pessoas que o conheciam de perto. A leitura pode ser encarada como mais um relato de violência nas grandes cidades; como uma análise social de uma comunidade cercada de pobreza e preconceito e sem nenhuma perspectiva de uma vida melhor; ou ainda como uma reflexão sobre como é possível encontrar respostas para nossas próprias angústias e questionamentos.
É um daqueles livros que nós conseguimos ler de ma vez só, sem intervalos. Devido ao seu pouco número de páginas e à linguagem fácil, eu não devo ter levado mais do que três horas. Recomendo a leitura deste livro para todos aqueles que possuem convicções religiosas profundas, e também para aqueles que se preocupam com problemas sociais, racismo e violência, e já deixo um alerta: você pode interpretá-lo de várias maneiras diferentes.

Aspecto positivo: linguagem leve e simples, de fácil entendimento; inclusão de pequenos relatos dos familiares de Charles, sobre sua personalidade; capítulos curtos, incentivando o leitor a prosseguir.
Aspecto negativo: falta de uma análise mais profunda sobre a criminalidade do gueto.

Por: Lethycia Dias

Referências bibliográficas:
FOCOLARES, Movimento dos. Charles Moats. Disponível em: <http://www.focolare.org/pt/news/2011/06/26/charles-moats-charles-dei-ghetti-neri/>. Acesso em: 24 de setembro de 2015.
FOCOLARES, Movimento dos. Gen. Disponível em: <http://www.focolare.org/pt/movimento-dei-focolari/scelte-e-impegno/gen/>. Acesso em: 24 de setembro de 2015.
WIKIPÉDIA. Chicago. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Chicago>. Acesso em: 24 de setembro de 2015.




Como já afirmei várias vezes em outros textos da sessão de Dicas de Português e Escrita, as maiores dúvidas das pessoas na hora de escrever devem-se a algumas regras e usos muito simples, mas de importância fundamental para a escrita na Língua Portuguesa. As regras gramaticais e ortográficas não existem à toa, e muitas vezes servem para tornar a leitura e a compreensão de um texto mais claras e mais fáceis, evitando confusões de significado.
Você com certeza já deve ter ouvido falar que a palavra "Por que" pode ser escrita de quatro formas diferentes, e que cada uma delas tem uma função diferente e hora certa para ser usada. Isso é verdade, mas não se assuste, pois as regras são muito simples, e prestando atenção, logo você saberá diferenciar os tipos de "Por que", e saberá usá-los sem nenhum problema.

Por que (separado, sem acento): é usado para fazer perguntas, e aparece no início, ou no meio da frase, mas nunca no fim. Pode ser ainda usado em frases sem o sinal de interrogação, mas que tenham o mesmo sentido de pergunta.
Exemplos:
- "Por que você acordou tão tarde hoje?"
- "Por desistiu de participar do concurso?"
- "O professor me perguntou por que faltei tantas aulas."
- "Toda a família quer saber por que o casamento foi cancelado."

Porque (junto, sem acento): é usado para responder perguntas.
Exemplos:
- "Acordei tarde porque na outra noite fiquei assistindo a um filme muito longo."
- "Desisti do concurso porque fiquei com medo de não ser aprovado."
- "Respondi a ao professor que faltei porque estava doente."
- "O casamento foi cancelado porque tivemos uma briga muito séria."

Por quê (separado, sem acento): é usado para fazer perguntas. Só aparece no fim da frase.
Exemplos:
- "Você não foi à aula por quê?"
- "Você não vai sair com seus amigos? Por quê?
- "Você e seu namorado brigaram por quê?
- "Eu soube que não ter aula hoje, porquê?"

Porquê (junto, com acento): neste caso, a palavra "porquê" é um substantivo, e pode substituir as palavras "motivo" e "razão".
Exemplo:
- "Quero saber o porquê (motivo/razão) de toda essa bagunça."
- "Me conte o porquê (motivo/razão) para estar chorando tanto."
- "Qual o porquê (motivo/razão) de tanta gritaria?"
- "Qual o porquê (motivo/razão) do suicídio?"

Parece muito fácil, não é mesmo? Pois realmente é! Nós ficamos em dúvida com certas coisas, mas basta um pouco de leitura para nos familiarizarmos com a escrita, e se vamos observando tudo com cuidado, logo os erros vão ficando cada vez menos frequentes, até não mais existirem. É como diz aquele ditado: "a prática leva à perfeição."
Espero ter tirado suas dúvidas, mas se você acredita que ler um simples texto sobre o uso do "por que", o que acha de fazer alguns simulados sobre isso? Clique nos links abaixo para experimentar!

Simulados: uso dos porquês
Por: Lethycia Dias

Bibliografia:
MARTINS, Lucas. Uso dos "porquês". Infoescola. Disponível em: <http://www.infoescola.com/portugues/uso-dos-porques/>. Acesso em: 21 de setembro de 2015.

"Numa magnífica casa solarenga de províncias, propriedade de abastado aristocrata, reúne-se um grupo de pessoas da melhor sociedade inglesa, para passar um agradável fim de semana. Porém, entre a "gente fina", há quem faça coisas más e que, com muitas boas maneiras, pode cometer os piores assassinatos. Isto é o que acontece na mansão de Sir Henry Angkatell: um assassino oculta-se entre seus elegantes convidados e um deles é a sua vítima. Felizmente, também lá se encontra um homenzinho pequeno, de grandes bigodes e com cérebro privilegiado: Trata-se do famoso detetive Hércule Poirot, que descobre o culpado e impede, na última hora, que este cometa um segundo assassinato."


Autor: Agatha Christie
Gênero: Policial
Número de páginas: 308
Local e ano de publicação: Rio de Janeiro, 1964
Tradução: Vânia de Almeida Salek
Editora: Record

Quando o "simples" engana


Este livro foi o primeiro de Agatha Christie que li, apesar de já saber da fama de suas obras há muito tempo. Como sabemos desde a sinopse, Sir Henry e Lady Lucy Angkatell estão se preparando para receber alguns parentes e amigos, convidados para passar um fim de semana da Mansão Hollow, uma propriedade nos arredores de Londres, próxima a um bosque, perfeita para o verão. Entre os convidados estão Midge Hardcastle, e Henrietta Savernake, suas primas; Edward Agkatell, um primo que possui uma propriedade da família; David Angkatell, também primo, um jovem intelectual de Oxford; e John e Gerda Christow, um casal de amigos. Além disso, há um convidado especial: o detetive Hércule Poirot, que possui um chalé vizinho à Mansão. Lucy e Henry sabem que os convidados podem não se dar muito bem, mas acreditam serão capazes de dar igual atenção a todos e manter o bom relacionamento entre todos.
Entretanto, o que eles não esperavam era que durante este fim de semana ocorresse um terrível crime, no domingo à tarde, em frente à bela piscina da casa. Pouco antes de morrer, a vítima diz o nome de uma das pessoas presentes; além disso, o suposto assassino encontra-se de frente para sua vítima, segurando uma arma. Parecem não haver dúvidas de que o culpado seja essa pessoa. Entretanto, Poirot desconfia de que a cena seja um tanto artificial, e a simplicidade evidente dos acontecimentos não o convence. Além disso, as investigações policiais indicam de que a arma usada no crime foi outra. Com o avanço da história, nos damos conta de que sempre surgem novas evidências apontando contra outras pessoas, e parece ser cada vez mais difícil compreender quem foi o assassino.
Confesso que de início não foi uma leitura fácil. Eu ansiava por saber quem morreria, e quando. Havia imaginado que "reunir um grupo de pessoas da melhor sociedade inglesa" significava dar uma festa ostensiva e esplêndida, na qual estariam presentes pessoas de alta classe, que apesar de terem conflitos entre si e relações difíceis, estariam ali para "manter as aparências". Ao menos, é o que se esperaria de um filme comum, ou de um capítulo de telenovela. Mas não estamos falando de filmes com enredo batido, e muito menos de novelas do horário nobre. Estamos falando de Agatha Christie, a Rainha do Crime, e se sua maneira de articular os eventos numa história sensacional me incomodou a princípio, talvez fosse eu que estivesse acostumada com outros tipos de trama policial. Volte à primeira linha da resenha e veja o motivo do incômodo: eu nunca havia lido Agatha Christie antes.

"Levantou a vista abruptamente, perturbado com um leve e inesperado ruído.
Ouvira tiros no bosque, lá em cima, e os ruídos comuns dos bosques,
pássaros, e o som melancólico e distante de folhas caindo.
Mas esse era um outro ruído - apenas um leve clique."
Capítulo Dez, página 108.

Temos assim um espetacular romance policial construído de uma forma completamente desconhecida para mim, visto que todos os personagens possuem capítulos narrados sob seu ponto de vista, ao contrário do que eu estava acostumada a ver em outros livros (nos romances policiais atuais, quem marca a narração dos capítulos, em sua absoluta maioria, é sempre o detetive ou policial envolvido nas investigações, que consegue sozinho descobrir tudo, e todas as evidências são apresentadas somente para ele). Assim, vemos que cada um dos convidados, bem como Henry e Lucy e também seus empregados, parecem saber mais do que dizem. A todo momento os indícios apontam para pessoas diferentes, e o leitor se vê perdido, tentando raciocinar entre as provas descobertas, e ao mesmo tempo desconfiando de coisas que os personagens deixam escapar em conversas entre si.
Entretanto, neste romance não temos apenas investigação policial. Antes que o crime aconteça, temos a apresentação dos personagens e somos capazes de entrar em seus respectivos mundos íntimos. Sabemos sobre os dilemas e sentimentos deles, e as relações que possuem entre si. E com a morte, o inquérito policial e as sucessivas investigações conduzidas pelo inspetor Grange, vemos esses personagens tão diferentes prosseguindo suas vidas, sem, entretanto, se esquecer da sombra de morte e mistério que paira entre eles.
Com um desfecho impressionante, em que Poirot baseia-se numa dedução e naquele conflito inicial da cena artificial, do enigma em que tudo parecia ser simples demais para ser verdade. Trata-se não apenas de uma história de assassinato e investigação, mas também de uma narrativa sobre a idealização de uma pessoa, e sobre o quanto pode ser decepcionante descobrir que aquilo que imaginávamos sobre alguém não é verdade.
Eu indico este romance para todos que admiram o gênero policial. Se já estiverem acostumados com a autora, creio que desde o início se sentirão atraídos pela trama; e se, assim como eu, ainda não conhecem suas obras, recomendo que sejam pacientes, e aguardem. A tensão demora para se fazer presente, mas a espera vale a pena!

Por: Lethycia Dias




Se você também tem blog, site, ou página no Facebook, deve saber que criar novos conteúdos é algo imprescindível para atrair mais público. Por isso, estamos sempre nos esforçando para ter novas ideias. Hoje eu estou aqui para fazer uma prévia de certas coisas que estou preparando para o blog, e que virão em breve! Então fiquem ligados nessas novidades, e aproveitem para se inscrever como seguidores clicando no botão Participar deste site, que vocês encontrarão mais abaixo, numa caixinha que é igualzinha a essa:

Inscreva-se e acompanhe!

Então vou listar abaixo algumas das coisas que vão começar a acontecer daqui pra frente.

O que vem pela frente em Loucura Por Leituras:

1- Os vídeos do canal passarão a ter maior qualidade:
Comecei o canal por um impulso, e naquela época (março ou abril, se não me engano), eu não sabia praticamente nada sobre isso. Vendo meus vídeos antigos, eu chego a ter vergonha de deixá-los em modo público! São todos muito ruins no que diz respeito ao som, à edição, e à imagem. Enfim, eu já consigo ver algumas evoluções nos meus vídeos, e confesso que os primeiros são mesmo muito ruins!
Mas estou aprendendo muito sobre edição no programa Camtasia Studio 8, que não oferece tantos recursos quanto o Sony Vegas, mas atende às minhas necessidades. Meu irmão, que tem mais tempo e paciência do que eu, assiste a muitos tutoriais de programas, e depois me ensina tudo. Por isso, estou aprendendo a fazer muitas coisas legais, e assim os vídeos estão ficando cada vez melhores. O canal ainda tem poucos inscritos, mas está crescendo, a acredito que pode crescer muito mais!
Enquanto isso, que tal vocês assistirem ao vídeo mais recente?




2- Teremos a resenha de um livro polêmico:
Faz alguns meses que estou acompanhando assiduamente o canal Literatortura, e gosto muito dos vídeos feitos pelo Gustavo Magnani. Fiquei extremamente feliz e curiosa quando soube que Magnani estava para publicar seu primeiro livro, cujo próprio título já entrega o tema polêmico: Ovelha - Memórias de um pastor gay. Trata-se da história de um homem que sempre teve a religião de forma marcante na vida, e que agora que está morrendo, escreve um diário para contar as dores de sua vida. Pela curiosidade, acabei lendo as primeiras páginas, e o que posso dizer é que o personagem principal, além de não se aceitar, sofre com conceitos e ideias que fazem parte de sua vida graças ao fanatismo religioso (que vem dele mesmo, e também das pessoas ao seu redor). Logo após seu lançamento, o livro já gerava rebuliço (leia a entrevista no Jornal Folha de São Paulo clicando aqui). Como a vida do personagem é, de certa forma, "dissecada" no livro, e ele diz tudo sem papas na língua, já sei que a leitura será difícil para mim. E a resenha, mais difícil ainda de fazer. Mas pretendo fazê-la sem preconceitos, pois é isso que o livro pretende: desprender-se dos juízos de valor.

Trecho retirado da entrevista publicada no Jornal Folha de São Paulo.
Clique na imagem para ampliá-la.


Post na fanpage anunciando a chegada do livro pelo Correio.

3- Mosaico de capas na fanpage:
O blog está ativo há 10 meses, e desde então, venho fazendo resenhas de livros dos mais variados gêneros e assuntos. Criei na fanpage do blog um álbum de fotos onde registro as capas de todos os livros já resenhados, junto com pequenas citações. Já foram 20, e estou formando com elas um mosaico que vai ficar cada vez mais colorido, variado e bonito!

Este é o nosso mosaico, que ficará cada vez maior.

Enfim, essas são algumas das novidades que eu tinha (não vou contar todas, porque preciso surpreender vocês), e espero que isso faça com que fiquem mais curiosos em relação ao blog e suas respectivas redes sociais.
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Por: Lethycia Dias




Se você estuda, trabalha, ou faz as duas coisas ao mesmo tempo, eu tenho certeza de que fica difícil manter suas leituras em dia. Eu apenas estudo, e a faculdade exige a maior parte de meu tempo. O turno do meu curso é "predominantemente matutino", o que significa que a maioria das minhas aulas acontece de manhã, mas eu posso acabar tendo uma ou duas aulas por semana à tarde. Meu curso exige muita leitura de textos acadêmicos (e depois disso, eu preciso fazer fichamentos, resenhas, e artigos). Eu moro longe do campus e não tenho carro ou alguém que me dê carona, então preciso pegar três ônibus no trajeto, o que leva entre 1h 30 min e 2h. Desse jeito, eu praticamente não consigo ler, pois quando chego em casa, além de estar cansada e estressada, eu sempre preciso estudar mais.
E, é lógico, ninguém vive trancado no próprio quarto, com a estante à disposição, apenas cumprindo metas de leitura. Eu não sou assim, e sei que vocês também não. Sei que muita gente às vezes fica perdida no meio das obrigações, e os livros vão se acumulando, a leitura vai durando semanas, a pessoa fica desanimada.
Por isso, vim aqui compartilhar com vocês alguns dos meus truques para poder ler sempre mais (ou pelo menos dar uma adiantada nas coisas).

Aproveitando melhor o seu tempo:

1- Faça uma lista mental de tudo o que você precisa fazer durante o dia.
Parece coisa de gente obcecada por organização, mas não é. Eu costumo fazer isso, e minha vida fica muito mais fácil. Quando acordo de manhã, já sei tudo o que eu preciso fazer ao longo do dia, e é partir daí que vou definindo horários específicos para fazer todas as coisas; também posso calcular o tempo que vou gastar com cada uma delas, e assim sei também quanto tempo vai restar para que eu possa fazer o que eu quiser. Experimente fazer assim também, e você vai achar muito mais fácil lidar com as tarefas do dia-a-dia.

2- Faça as coisas mais importantes primeiro.
Você precisa sair para resolver um assunto? Precisa ajudar na limpeza da casa? Precisa encontrar um amigo? Muitas vezes temos compromissos que não dependem exclusivamente de nós, pois prometemos coisas para outras pessoas, que ficam à nossa espera. Portanto, tente fazer isso primeiro. Ou pelo menos, tente colocar o tal compromisso como prioridade, e então, se você precisar sair durante a tarde, pode definir todas as outras coisas em função do tempo que você vai estar em casa, isto é, antes e depois de ter saído.

3- Reduza o tempo "à toa".
Se você passa muito tempo conectado ao computador ou celular, e durante esse tempo, não faz nada que seja extremamente importante (se não está fazendo pesquisas para trabalhos escolares ou acadêmicos, se não está enviando e-mails para outras pessoas, enfim, se você está fazendo qualquer outra coisa que possa ser deixada para depois), então por que não desligar o computador e pegar um livro para ler? Por que não sair do Facebook, do Twitter, e pegar aquele livro querido que está esperando por você? Quando estamos online, nos distraímos com muita facilidade, mas isso nem sempre significa que estamos fazendo algo realmente interessante. Você pode dispensar essas coisas e ir fazer algo realmente legal.

4- Leve seus livros com você.
Vai viajar no final de semana? Vai ao dentista? Ao médico? Tem muito tempo livre durante o horário de almoço do trabalho, ou durante o intervalo das aulas? Que tal ler um livro nessas ocasiões? Eu nunca deixo de levar comigo o livro que estou lendo quando saio. Já fazia isso quando ia para a escola (lendo sempre que tinha um tempinho livre durante as aulas), e ainda faço. Quando vou para a faculdade, aproveito o longo trajeto de ônibus lendo, mesmo que eu esteja em pé. Na verdade, basta que eu encontre um lugar para me encostar ou me segurar sem cair ou esbarrar nas outras pessoas, e já tiro o livro de dentro da bolsa para ler. Fazendo o mesmo, você aproveita um pouco mais do seu tempo, mesmo quado estiver fora de casa.

5- Tente reservar um tempo diário só para a leitura.
Se for possível, você pode reservar um horário do seu dia somente para isso. Separe uma ou duas horas que você sabe que não terá nenhuma outra ocupação, e tente cumprir à risca. Você vai ver como esse tempinho será produtivo!

"O livro, que é uma espécie de 'ficção psicológica', está escrito na primeira pessoa, como o relato de um professor primário que, cansado dos seus problemas de mestre-escola e adulto, se lembra com saudade da decantada "aurora da minha vida" - e magicamente volta à infância; volta a ser criança - mas sem perder a memória de adulto. E então, passando pela experiência de alguns dias na vida de um garotinho, ele descobre que ser criança - mesmo uma criança de classe média, bem-alimentada, com pais vivos, lar, irmãzinha, brinquedos - não é nenhum mar de rosas. São tantas as dificuldades! Fora alguns momentos bonitos: um claro dia de neve, um "namoro" infantil, um cachorrinho encontrado na rua - são tantos os problemas! Tantas incompreensões, arbitrariedades, autoritarismo, injustiças, violências morais e físicas que a criança tem de suportar, calada e submissa. Até as manifestações de "carinho" de certos adultos são tantas vezes grosseiras, desagradáveis e humilhantes... 'Para nós não existe direito nem justiça, somos uma classe oprimida', escreve o 'pequeno autor'."
Tatiana Belinky, em apresentação da edição brasileira.


Autor: Janusz Korczak
Gênero: Pedagogia
Número de páginas: 219
Local e ano de publicação: não informados
Tradução: Yan Michelsky
Editora: Círculo do Livro

Conhecendo a fundo a alma das crianças


Narrado através dos olhos de um professor primário de nome e idade desconhecidos que se lembra do quanto era feliz na infância e magicamente é transformado em menino novamente, Quando eu voltar a ser criança é mais um daqueles livros que parecem infantis, mas que na verdade foram escritos para adultos. Conservando suas memórias da vida adulta, o protagonista tem de volta sua tão sonhada infância, com todos os reveses dos quais já havia se esquecido. Agora novamente menino, ele tem que lidar com sua própria sensibilidade; uma grande curiosidade pelo mundo, pelas pessoas e pela vida; sua imaginação sem fim; e algo maior ainda: a incompreensão dos adultos.
De volta a uma idade em que sua personalidade e seu entendimento sobre o mundo ainda estão sendo formados, o protagonista é entregue de volta a um mundo nem um pouco justo: um mundo em que todos lhe dizem o que fazer; todos falam alto; todos o recriminam pelo que fez e também pelo que não fez; ninguém o ouve; ninguém pensa em seus sentimentos; ninguém se pergunta o que ele está pensando; ninguém lhe dá a devida importância. Porque, afinal, ele é apenas uma criança? Que importância têm os pensamentos de uma criança?
Pois bem. Nós vamos junto com ele para esse mundo que já conhecíamos, mas do qual havíamos nos esquecido. Através das páginas do livro, revivemos algumas pequenas alegrias e outros grandes desgostos da infância.
O livro Quando eu voltar a ser criança apareceu de uma forma inesperada na minha vida: eu o encontrei disponível para doação em uma biblioteca pública da minha cidade. Como sou simplesmente apaixonada por livros narrados por crianças, fiquei interessada, e acabei levando-o. Demorei muito tempo para começar a ler, e quando resolvi fazê-lo, tinha muita expectativa de encontrar uma narrativa leve e deliciosa, repleta de encantos, que me traria de volta a imaginação infantil, como pouquíssimos livros são capazes de fazer. Me enganei. Não encontrei nada disso.
Embora a proposta (mostrar as dificuldades vividas diariamente por uma criança em meio aos adultos) seja interessante, o enredo não é nada surpreendente. Se você está pensando em ler este livro, não espere por uma história sobre uma grande amizade, ou sobre uma aventura incomum e inesquecível vivida por um garoto que no fim, tragicamente, teria de encarar a realidade e voltar à sua vida tediosa de adulto. Sinto informar, mas nada disso acontece. Aliás, nada de surpreendente acontece!
Ao longo das duzentas páginas deste livro, acompanhamos o narrador-personagem em suas idas à escola, suas conversas com os colegas, suas brincadeiras com outros meninos, suas obrigações em casa como filho e irmão mais velho... E nada mais. Ficamos por dentro do julgamento infundado que os adultos muitas vezes fazem com as crianças - reclamando, falando alto, debochando, ignorando - e chegamos até a nos identificar com algumas das reflexões do protagonista, que fala que quando voltar a ser adulto será diferente... Mas não passa disso.
A narrativa é simples, como se deve esperar de uma história contada por uma "criança", mas chega a ser muitas vezes enfadonha, entediante.
Embora estivesse incomodada com a falta de acontecimentos relevantes da narrativa, não quis interromper a leitura. Prossegui devagar, "empurrando com a barriga", levando mais de duas semanas. Chegando ao fim, eu ainda estava entediada. Sem querer ser injusta no momento de resenhá-lo, decidi pesquisar sobre a vida de seu autor, e assim pude compreender um pouco o seu objetivo ao escrever essa história.
Nascido em Varsóvia (capital da Polônia), Janusz Korczak foi médico, pediatra, pedagogista, publicista, escritor, autor infantil, ativista social, e oficial do Exército Polaco. Desde jovem interessava-se pela educação das crianças, e defendia sua emancipação, sua autodeterinação e o respeito aos seus direitos. Inovou no campo da pedagogia e da teoria e prática educacional. Seu verdadeiro nome era Henryk Goldsmit, mas por não poder publicar oficialmente na imprensa devido ao fato de ter sido aluno do liceu, utilizou diversos pseudônimos ao longo da vida. Foi premiado por sua escrita, e deixou uma vasta obra, tanto literária, quanto de textos publicados em revistas. Fundou dois orfanatos em Varsóvia, e dirigiu o primeiro deles, o orfanato Dom Sierot, e o dirigiu por trinta anos, desde 1912, até o fechamento em 1942. Por ser judeu, foi confinado no Gueto de Varsóvia durante a ocupação dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Teve a oportunidade de obter documentos falsos e fugir, mas recusou-se, preferindo permanecer com as crianças do orfanato. Manteve, desde 1939, um diário, no qual escreveu pela última vez no dia 4 de agosto de 1942. Permaneceu com os órfãos até o fim, quando foi deportado, junto com cerca de 200 crianças e outros educadores, para o campo de extermínio de Treblinka, onde foi assassinado.

Trecho retirado de artigo da Wikipédia. Clique na imagem para ampliá-la.

Pesquisando, sobre o autor, compreendi melhor sua proposta ao escrever o livro que tanto me desagradou, principalmente quando li sobre as principais ideias que Korczak defendia (ver imagem acima). Finalmente pude entender a ideia encerrada na simples narrativa do livro, mas minha opinião permaneceu a mesma. Embora eu concorde com algumas das ideias defendidas pelo autor - e tenha passado a admirá-lo pelo esforço que fez em prol das crianças, e pela forma como morreu - continuo afirmando que não é uma história divertida. Não há um enredo criativo, ou mesmo algo que torne a história empolgante. O que realmente nos leva a ler até o fim é a vontade de compreender aquilo que Korczak quis mostrar nos colocando na pele de seu personagem que poderia ser ele mesmo.
Não vou finalizar a resenha afirmando que recomendo a leitura para todos, pois estaria mentindo. Recomendo para pais, professores, psicólogos, e pessoas que trabalham ou convivem com crianças de alguma forma. Caso queiram conhecê-las melhor, e entender como as maltratamos diariamente, aí sim ele será uma boa leitura.

Aspecto positivo: narração fiel dos sentimentos e pensamentos típicos de uma criança, e dos problemas causados pela indiferença dos adultos.
Aspecto negativo: enredo pouco criativo; narrativa entediante; falta de elementos que tornem a história empolgante.

Por: Lethycia Dias

Referências bibliográficas:
WIKIPÉDIA. Janusz Korczak. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Janusz_Korczak>. Acesso em: 01/09/2015
WIKIPÉDIA. Treblinka. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Treblinka>. Aceso em: 01/09/2015

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