Confira!


Vou começar o post de hoje contando uma pequena história:
No Distrito Federal, onde Lethycia nasceu e viveu até os 14 anos, existe uma rede de escolas públicas de idiomas. Estes colégios, chamados de Centro Interescolar de Línguas (CIL), são administrados pelo governo local, são totalmente gratuitos, oferecem vagas apenas para alunos da rede pública de ensino e estão distribuídos entre as cidades satélites do DF. Aos 11 anos, Lethycia começou a estudar no CIL de Sobradinho, no curso de Espanhol, porque gostava do idioma e tinha facilidade com ele, embora todos preferissem estudar Inglês. Lethycia adorava o Espanhol e se dedicava muito, e durante todo o tempo em que estudou o idioma, foi uma boa aluna, com ótima leitura, escrita e pronúncia. Ela chegou até o nível Intermediário do curso, tendo estudado durante 8 semestres. Entretanto, quando mudou-se para Goiânia, Lethycia precisou abandonar o curso de Espanhol, e sua mãe, sustentando sozinha dois filhos e uma casa, não tinha condições de pagar um curso particular (já que antes, Lethycia estudava num colégio público).
Lethycia tentou manter o contato com o idioma que estudara, ouvindo e cantando músicas de Shakira, Alejandro Sanz e Juanes, mas com o tempo, começou a sentir falta da prática e do estudo sistematizado. E sua vida seguiu, pois não havia nada que ela pudesse fazer. Aos 16 anos, uma conhecida de seu pai, que sabia que ela gostava muito de ler, e que havia estudado Espanhol, emprestou-lhe um exemplar de Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez, na língua original. Lethycia teve grande dificuldade com o livro, mas o devorou e ficou encantada com aquela história. Embora tenha parado muitas vezes para pesquisar a tradução de palavras que não compreendia, e tenha precisado reler vários trechos para entendê-los melhor, ela compreendeu o essencial do livro. Por outro lado, até hoje ela sonha em ler uma edição em Português, para que possa ter o entendimento pleno.

Pare e pense no que está errado nessa história.
É exatamente isso que você está pensando! O erro foi eu ter tentado ler o livro de um escritor consagrado numa edição integral, sabendo que estava sem estudar havia mais ou menos dois anos. Eu certamente teria entendido melhor a história se tivesse lido uma edição adaptada. Mesmo que condensada, uma edição desse tipo traria os fatos considerados mais importantes da história, e a linguagem seria adaptada para jovens. Mas eu não fazia a menor ideia disso, e claro, quis aproveitar a oportunidade que a conhecida de meu pai estava me oferecendo. Por isso, não me arrependo.

Contei um pouco da minha experiência para que você possa entender melhor o que vou dizer. Seguem abaixo algumas dicas baseadas na minha experiência pessoal, que talvez possam te ajudar a começar.

1- Siga as recomendações de seu professor: Quando eu estudava, volta-e-meia os professores recomendavam a leitura de "livrinhos" bem pequenos e simples, como os "livrinhos" que o seu irmão mais novo lê na escola, cheios de ilustrações e com pouco texto nas páginas. Embora o colégio fosse público, nós tínhamos que comprar nossos materiais a cada semestre, e todos os livros eram fornecidos pela própria escola.
Esses pequenos livros eram fáceis de ler. E eles eram assim, bem simplificados, porque uma pessoa que começa a estudar um idioma é como uma criança que começa a ler e escrever. Mais ainda: a pessoa está também aprendendo a falar. Esses livros ajudam a fixar aquilo que estudamos, e costumam vir acompanhados de um pequeno glossário, com explicações sobre as palavras mais difíceis. São leituras apropriadas para um iniciante. Eu li vários deles, e não tive dificuldades. Então eu recomendo: não caia de cabeça nos calhamaços. Se o seu professor indica uma adaptação, leia a adaptação.

2- Não tenha pressa: Ler é uma diversão para você? Se a resposta é sim, então também não pode ser diferente quando você estiver tentando uma leitura em outro idioma. Ler apenas por ler é uma péssima ideia. É claro que quando estamos muito empolgados com a história, acabamos lendo rápido mesmo, mas se esse não for o caso, então a pressa pode acabar sendo prejudicial. Afinal, se você se apressar demais só para terminar mais rápido, pode acabar não prestando toda a atenção que devia.

3- Procure por recomendações: Se você acompanha canais do YouTube e blogs, já deve saber o quanto é legal conferirmos as recomendações de um livro, para termos certeza se vamos mesmo querê-lo. Existem muitos canais e blogs com projetos de leitura que você pode acompanhar. A Lívia Santana, do Check-in Virtual, está lendo livros em inglês para melhorar a leitura e o vocabulário, e você pode aproveitar para saber como anda o projeto nos links abaixo:


Nesses quatro posts, ela fala do seu desempenho nas leituras, das suas dificuldades e dos seus acertos. Além, é claro, de estar resenhando os livros! Assim, você pode saber o que vai ser bom ou não de acordo com o seu vocabulário e o seu nível de conhecimento.

4- Fique atento ao livro que será lido: Quando você começou a ler, lia livros mais simples, de entendimento mais fácil, e conforme foi amadurecendo é que começou a ler coisas mais complexas, não é mesmo? Creio que ler em outro idioma deve funcionar da mesma forma. Um livro publicado no ano passado, voltado para o público jovem, com certeza deve ter linguagem mais acessível do que um dos romances da Jane Austen, mesmo que seja na língua original.

Então, o que você achou dessas dicas? Espero ter sido capaz de ajudar com alguma coisa, embora eu tenha pouca experiência nesse assunto.

O que você tem achado das imagens que venho postando aqui no blog? Criar um perfil no Instagram me fez ficar mais criativa na hora de fotografar os livros, e estou gostando muito de me desafiar! Estou participando do desafio #livregraphie, que vai durar até o fim de maio. Você pode me acompanhar pelo meu perfil @lethyd e ainda encontrar todas as minhas fotos de livros pela hashtag #loucuraporleituras.
Por: Lethycia Dias

4 Comentários

  1. Ai, foi justamente meu erro cair de cara no Oscar Wilde! Infelizmente não está dando tempo de me dedicar melhor ao projeto, mas voltarei com ele em breve. Suas dicas são maravilhosas, principalmente para quem está começando. Minhas primeiras leituras em inglês, bem antes do blog, foram adaptações e depois passei a ler artigos para a faculdade, e como não encontrei tanta dificuldade, tentei pular logo para o clássico. Uma dica muito boa que me deram é ler na língua estrangeira um livro que você já conheça, que já tenha lido em português. Esta será a próxima etapa do desafio!
    Ah, obrigada por indicar o Projeto Lendo em Inglês! Eu vou retomar meus estudos em espanhol e ficaria bem feliz de participar com você de leituras neste idioma também!

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    Respostas
    1. Acho que a gente cai mesmo no erro de achar que vai dar conta. Na época que estudava Espanhol, eu lia numa boa os textos dos livros de estudo, traduzia coisas, até me arrisquei a escrever poesia em espanhol. Aí vem o García Márquez pra me dar um tapa na cara e dizer que eu ainda precisava estudar muito mais! kkkkkk
      Eu indiquei o projeto porque estou achando muito legal! Acho que eu ficaria feliz de voltar a treinar o espanhol. Seria válido ir pesquisando e procurando livros adaptados para ler, talvez até fazermos um tipo de união entre os blogs.

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  2. Achei super válidas as dicas!
    Ontem mesmo, no Facebook, vi um cara pedindo umas dicas de como começar a ler livros em Inglês. Acredito que ninguém deve começar com livros clássicos, como Orgulho e Preconceito, por exemplo. Se o livro em Português já tem uma linguagem mais difícil, imagina o Inglês?
    Eu mesma sei que tenho muitas dificuldades com a língua inglesa, apesar de ter concluído o nível intermediário do curso. Espanhol? kkkkkkkkkk todos dizem ser mais fácil, mas pra mim não é. Tenho uma enorme dificuldade com espanhol!

    Kemmy - Duas Leitoras

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    Respostas
    1. Exatamente. É como se um estrangeiro que quisesse estudar Português fosse começar pelos livros do José de Alencar. Aí, ele teria todos os motivos do mundo pra dizer que "Português é difícil!" Kkkkkkk
      Acho todo mundo tem dificuldades de alguma forma. Mesmo gostando e me dedicando, eu ainda ficava com a língua meio enrolada na pronúncia de algumas frases, principalmente quando havia uma palavra terminada em L seguida por outra que começasse em R.
      Não acredito nessa história de que o idioma é "fácil". Muitos acham que Espanhol é fácil, por ser parecido com o Português, mas as regras gramaticais são bem complicadinhas. Meu pai já viajou para a Argentina, ele diz que quando os argentinos não queriam ser compreendidos, falavam de um jeito que brasileiro nenhum entendia, mesmo tendo estudado!

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