Confira!

"Uma das mais aclamadas escritoras de suspense da atualidade, Gillian Flyn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise. Com 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo - o maior sucesso editorial do mundo, atrás apenas da Trilogia Cinquenta Tons de Cinza - Garota Exemplar alia humor perspicaz a uma narrativa eletrizante. O resultado é uma atmosfera de dúvidas que faz o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública - e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy -, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã Margo ao seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?"

Autora: Garota Exemplar
Gênero: suspense/thriller
Número de páginas: 500
Tradução: Alexandre Martins
Editora: Intrínseca
Onde comprar: Amazon | Livraria da Folha | Saraiva

O livro que mais me intrigou nos últimos tempos


O fato de eu não acompanhar lançamentos, e de por muito tempo ter praticamente ignorado livros que estiveram no famoso hype, me leva a não ler best-seller's, ou ler só depois de muito tempo que eles estiveram em evidência. E foi isso que aconteceu comigo em relação a Garota Exemplar. Ganhei a versão digital deste livro como promoção depois de uma compra na Amazon, e só por isso me ocorreu ler; afinal, eu tinha ganhado, não me custou nada. Como eu praticamente desconhecia tudo o que se falava a respeito desse livro, eu tive uma grande vantagem: nunca recebi nenhum spoiler. E isso com certeza colaborou para a experiência que eu tive.
A história de Garota Exemplar tem início com o misterioso desaparecimento de Amy Elliot Dunne. Quem percebe o sumiço dela é seu marido Nick Dunne, que ao entrar em casa, à beira do rio Mississipi, na cidade de Carthage, Missouri. Objetos quebrados e espalhados pela sala sugerem violência. Nick permanece tão atordoado com o que aconteceu, que durante seu depoimento à polícia, e mais tarde, numa coletiva de imprensa, não consegue demonstrar as emoções esperadas de um marido cuja esposa foi atacada e está desaparecida - nem mesmo para o leitor ele parece suficientemente preocupado - e isso molda a opinião pública contra ele, o que é reforçado mais tarde, quando a polícia encontra evidências de que a cena de luta na sala foi armada.
Embora Nick e Amy pareçam viver uma vida perfeita, seu casamento não vai bem. Tudo parece girar em torno da mudança deles da moderna e movimentada Nova York para a interiorana e decadente cidade em que Nick cresceu. Mas por meio de trechos do diário de Amy, temos indícios e sugestões de que as coisas já não iam bem há algum tempo. Com o desenrolar do relato dela, intercalado ao de Nick, passamos a acreditar que Amy, desde que o conheceu, fingiu ser alguém que não era para agradá-lo; e pelo relato de Nick, passamos a apreender que ele se sente intimidado, inferiorizado e até mesmo humilhado, como homem, pelo fato de Amy ser uma mulher linda, inteligente, brilhante, que chama a atenção de todos ao seu redor. Essas duas informações dão margem a dúvidas sobre este casamento e sobre o que realmente aconteceu com Amy.
Ao mesmo tempo em que a investigação policial avança, Nick tenta desvendar as pistas de uma caça ao tesouro preparada por Amy para presenteá-lo - a tradição dos aniversários de casamento. A dificuldade de Nick para compreender as pistas deixadas por Amy (pelo menos nas caças ao tesouro anteriores, às quais ele faz alusão) nos levam a deduzir que ele não a conhece tão bem quanto um "marido perfeito" deveria conhecer. Entretanto, as pistas deste ano parecem dizer que Amy tem a intenção de dar nova vida ao casamento deles - coisa que já não parece possível.
As novas pistas, as revelações, a curiosidade de saber o que aconteceu com Amy, tudo faz com que o leitor queira continuar lendo sem parar (que aparentemente, é o propósito do livro). A opinião que temos sobre os personagens está em constante mudança, e é difícil saber qual a versão verdadeira da história.

Imagem compartilhada no meu Instagram durante a leitura.
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"Não éramos nós mesmos quando nos apaixonamos, e quando nos tornamos nós mesmos...
surpresa! Nós nos completamos da forma mais repulsiva e feia possível."

A história é narrada em primeira pessoa, simultaneamente por Nick e Ammy. Enquanto Nick narra os acontecimentos do presente, Amy nos apresenta os trechos de seu diário desde que conheceu Nick, até que na segunda parte, o relato de Amy alcança a narrativa do marido. É importante termos em mente que o fato de a narração ser em primeira pessoa torna ambos os narradores não-confiáveis. É válido lembrar que um narrador-personagem pode contar a história pelo seu próprio ponto de vista, omitindo algumas coisas, exagerando outras, nos levando a acreditar no seu ponto de vista. No caso de Garota Exemplar, isso está presente a todo momento, e é muito fácil um dos narradores (ou os dois) nos manipular. Eu, que havia sido totalmente manipulada quando li Dom Casmurro, achei que isso nunca mais aconteceria. Sabe de nada, inocente!
A história começa de maneira arrastada. No início, eu tive muita dificuldade para ter o meu interesse despertado por algo além do óbvio (O que aconteceu com Amy?). Li o livro no Kindle, e digo que até Nick receber uma visita indesejada, quando a leitura estava em torno de 35% do livro, eu não estava muito interessada na história. Só a partir daí, quando percebi que tinha sido enganada, que pequenos detalhes haviam sido deixados debaixo dos meus olhos e que eu não os percebera, é que fiquei realmente intrigada. A partir daí, eu não consegui mais largar o e-book.
Muitos dos acontecimentos narrados por Nick giram em torno da opinião pública a respeito do desaparecimento de Amy. Logo ele deixa de ser considerado um marido precisando de apoio para ser visto como feminicida. A autora usou muito bem os detalhes da investigação policial e a forma como a mídia faz a cobertura de crimes que ganham evidência. Eu apenas gostaria de dizer que nem sempre a cobertura midiática é desse jeito, que na mídia ninguém "odeia maridos", como se afirma sobre a apresentadora de TV Ellen Abbott no livro. A mídia, na verdade, odeia mulheres. É muito comum, em casos de violência sexual ou feminicídio, serem divulgadas informações que tiram a credibilidade da vítima (isso já é praticado desde o momento da denúncia); é normal as notícias de estupro dizerem que a vítima "estava sozinha na rua", que "negou sexo"; sobre as vítimas de feminicídio, dizem que "já havia sofrido agressões mas não denunciou", que "estava traindo" que "o suspeito não aceitava o fim do relacionamento", que "o suspeito a amava e está arrependido". Já vi, numa notícia sobre abuso sexual cometido contra uma criança, o uso da expressão "encontros amorosos". Por isso, acho válido lembrarmos quem realmente costuma ser acusado pela mídia em casos como esses.
Uma crítica que tenho a fazer é em relação à decadência vivida por esse casal, que não me convenceu muito. Sei que os dois passavam por dificuldades financeiras e que as circunstâncias que os levaram a se mudar para Carthage eram inevitáveis. Mas me pergunto por que os dois, que eram jornalistas e que haviam sido demitidos de seus empregos, não buscaram uma solução criativa. Nick acusa a internet de causar sua demissão; então, por que ele não procurou emprego em um site de notícias? Por que não abriu um blog jornalístico? Penso que Amy poderia ter investido seu dinheiro em algo assim, ao invés de um bar. Talvez a pequena Carthage não oferecesse recursos suficientes para a criação de um portal jornalístico completo, mas acredito que com o dinheiro de Amy, o casal poderia ter criado alguma espécie de site em que os dois poderiam trabalhar juntos; Amy poderia fazer seus testes de personalidade, e Nick poderia continuar escrevendo. Talvez isso tivesse evitado parte da crise desse casamento. Eu apenas não entendo como uma mulher brilhante que nem Amy, a Garota Exemplar, tenha aceitado se tornar nada mais que uma dona de casa entediada.
A despeito disso, eu gostei muito da trama e da forma como a autora armou tudo, numa linha torta, incoerente, que nos deixa confusos, cheios de dúvidas e, por isso, alertas a todo momento. Desde que cheguei aos 35% do e-book, e descobri aquilo que Nick vinha omitindo desde o início da história, eu simplesmente não queria mais parar de ler. Eu havia mesmo enrolado com a leitura desde o início, até chegar nessa parte. Depois disso, terminei de ler em apenas cinco dias. Portanto, se uma das intenções da autora era criar um thriller que prendesse a atenção, que deixasse o leitor sem fôlego, ela conseguiu. Isso é o que me faz considerar o livro bom, em partes.
Não consegui ter empatia pelos personagens, e creio que isso talvez também fosse intencional. No começo, é óbvio que eu estava do lado de Nick, considerando-o corajoso por ter ido ao shopping abandonado da cidade para procurar pela esposa, já que a "incompetente" polícia não fez isso direito, revirando os olhos a cada vez que alguém o acusava. Quando eu descobri que ele estava "escondendo o jogo", passei a achá-lo muito babaca. Um dos maiores conflitos de Nick é a sombra de seu pai misógino, para quem toda mulher é uma piranha desgraçada. Nick quer acreditar que não é como o pai; porém, Nick diz se sentir "emasculado" diante da personalidade de Amy. Emascular, segundo o Dicionário Priberam, significa tirar a virilidade, castrar. Eu afirmo que se Nick se sente "menos homem" porque tem uma esposa tão linda, tão inteligente, tão brilhante, ele tem muito em comum com seu pai. Ele pode não ser violento e não necessariamente odiar mulheres; mas que é machista, é sim. Quanto a Amy, eu tentei compreendê-la por meio do diário. Ela me inspirava pena, por ser uma mulher cujos esforços obviamente não eram reconhecidos pelo marido. Mas eu não aceitava a inércia dela, a forma como ela simplesmente deixou tudo acontecer. Quando descobri a outra faceta dela, e que ela na verdade não estava sendo passiva, mas sim criando sua solução torta para o problema, eu passei a considerar sua personalidade perturbadora. No fim do livro, eu odiava os dois protagonistas.
Não gostei do final, e sei que muita gente também fez essa crítica. Eu não tenho como falar disso sem dar um grande spoiler, apenas digo que esperava por outra coisa, e que em relação ao que acontece nos últimos capítulos, em relação aos sentimentos dos personagens, é uma coisa leve e até sem graça; porém, bastante doentia.

Avaliação geral:

Onde comprar:


Este é o fim da parte sem spoiler's dessa resenha. O parágrafo a seguir é um comentário com spoiler's, e se você se incomoda com isso, peço que não leia mais nada.
Fiquei completamente atônita quando cheguei à parte dois do livro e descobri que o diário de Amy era falsificado; que ela havia forjado provas contra Nick durante um ano; que chegara até mesmo a falsificar um teste de gravidez com urina de sua vizinha Noelle, que estava grávida. A Amy que se revelou na parte dois era surreal para mim. Atrevida, rancorosa, vingativa, desbocada. Eu mal conseguia acreditar que a mulher doce e compreensiva do diário não fosse real.
Terminei o livro concluindo que só podia haver duas alternativas para Amy: ou ela era louca, ou tinha alguma espécie de transtorno de personalidade.
Ela se queixa de seus pais a terem "usado" durante toda a vida para ganhar dinheiro por meio da série de livros Amy Exemplar, cuja protagonista era inspirada nela. Mas ora, foi graças a isso que ela foi tão rica durante toda a vida e teve todo o privilégio de ter estudado nos melhores colégios e vivido em Nova York; era por causa disso que ela se achava tão superior a todos os "caipiras do Missouri". Eu não vejo os pais de Amy como exploradores. Eles eram pais amorosos, preocupados. Talvez só tenham errado em criar uma personagem com o mesmo nome da filha.
Amy fala de ter fingido ser uma Garota Legal para Nick, e de ter fingido ser outra pessoa durante toda a vida, não só para ele, mas também para os pais e todas as pessoas ao seu redor. Embora eu acredite que muitas mulheres tentem ser a Garota Legal para agradar os homens, não creio que Amy tenha fingido. Eu acredito que fosse mesmo outra personalidade.
Outra ressalva é quanto a ela afirmar ser feminista. Amy não é feminista coisa nenhuma. Se fosse feminista, não teria tentado ser a Garota Legal, como ela diz ter feito. Ela simplesmente teria dispensado homens que não aceitassem sua personalidade, e procurado por homens que estivessem dispostos a se relacionar com ela sem "apagá-la". Ela fala de uma suposta liberdade sexual, que é uma das pautas do feminismo, mas em certo ponto parece uma pessoa extremamente moralista, quando ela fala de como Nick deveria preferir sua amante, Andie, por causa do que ela não permitia que ele fizesse no sexo. E quanto a Nick tê-la traído: ela precisava mesmo forjar a própria morte e fazer Nick parecer culpado só para se vingar disso? Isso me parece coisa de uma pessoa com algum transtorno mental. Uma mulher sã, por mais magoada e revoltada que ficasse com a infidelidade do marido, simplesmente se divorciaria desse cara e iria viver sua vida em paz.
Além de tudo isso, Amy me pareceu muito mimada, principalmente quando Nick desvendou suas mentiras sobre pessoas que a irritaram no passado. Amy não é uma pessoa normal. Ela é doentia, perturbadora e assustadora.

Por: Lethycia Dias

Esse foi mais um livro lido para o desafio Bingo Literário, na categoria "Suspense/ thriller".


2 Comentários

  1. Oi, Leth!
    Faz tanto tempo que li esse livro, não lembrava da maioria das coisas que vc citou! Eu lembro de ter gostado, mas acho que, com a mentalidade que tenho atualmente, faria uma análise completamente diferente.
    Enfim, gostei muito dos teus apontamentos. Acho que nesse caso a gente tem que levar em consideração que é uma obra de ficção, obviamente a autora quis "causar". Mas a gente também ouve cada caso de mulher que se vinga de marido...

    Beijinhos, Hel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também acho que se eu tivesse lido esse livro alguns anos atrás, não teria pensado em todas essas coisas que apontei na resenha. Talvez eu teria me tornado uma leitora fiel de Gillian Flynn.
      Obrigada por essa sugestão. Acho que estou tão acostumada com livros que reproduzem a realidade, que têm a intenção de serem retratos de uma época ou um acontecimento, que não consegui ligar aquilo que chamam de "suspensão da realidade". Essa resenha foi difícil de fazer e ia ficar bem mais crítica que isso, mas eu apaguei um parágrafo que vi que realmente era desnecessário.
      Em termos gerais, gostei não gostando. Sei lá, foi uma sensação estranha.

      Excluir

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